Peça gratuita Elefante conecta Alzheimer e racismo estrutural em São Paulo

Peça gratuita Elefante conecta Alzheimer e racismo estrutural em São Paulo
Fonte da imagem: Agência Brasil

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O espetáculo ‘Elefante’, do Grupo de Pesquisas Entre Atlânticas, propõe um debate entre memória e esquecimento a partir de duas experiências distintas: a de Célia, uma mulher branca idosa com Alzheimer abandonada pela família, e a de Xhosa, uma mulher negra que representa as trabalhadoras domésticas invisíveis, submetidas a condições análogas à escravidão. A peça está em cartaz gratuitamente até o próximo domingo no Teatro Paulo Eiró, em São Paulo.

A diretora e dramaturga Beatriz Nauali explica que Xhosa simboliza não apenas as trabalhadoras domésticas, mas toda a comunidade negra historicamente marginalizada, oprimida e esquecida. ‘O espetáculo fala sobretudo sobre o esquecimento, sobre as condições em que são colocadas as pessoas negras, as trabalhadoras domésticas, principalmente quando se diz sobre a persistência de lógica de trabalho análogo à escravidão’, afirma.

O contraponto entre a doença biológica, o Alzheimer, e a doença social, o racismo estrutural, revela camadas na dinâmica de outros personagens. Entre eles estão o neto de Célia, que a visita em seu aniversário, e Caim, um vizinho negro que a auxilia em meio ao abandono familiar. Segundo Nauali, a história construída pelo grupo aponta para ‘giros de 360 na história’.

O Grupo de Pesquisas Entre Atlânticas é formado por especialistas das cidades da Bacia do Juquery, região periférica da Grande São Paulo. A montagem busca dar visibilidade a questões sociais frequentemente ignoradas, usando a arte como ferramenta de reflexão.

As apresentações ocorrem nesta sexta-feira e sábado às 20h, e no domingo às 19h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pela plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro uma hora antes de cada sessão. Após a peça, o grupo promove uma roda de conversa com o público.

O Teatro Paulo Eiró está localizado no bairro de Santo Amaro, zona sul da capital paulista. A classificação etária não foi informada na divulgação do evento.

A peça integra a programação cultural gratuita da cidade e busca provocar o público a refletir sobre as múltiplas formas de esquecimento — tanto o biológico quanto o social — e suas consequências na vida de indivíduos e comunidades.

Fonte: Agência Brasil.

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