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Oito em cada dez brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de violência, sendo a psicológica a mais comum, segundo a pesquisa “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva e divulgada nesta quarta-feira (16). O levantamento também mostra que 98% das entrevistadas dizem adotar estratégias de proteção no cotidiano diante desse cenário.
Entre as situações de insegurança relatadas, a violência doméstica é temida por seis em cada dez mulheres. Pontos de ônibus e estações foram citados por 42% das entrevistadas; bares, festas e baladas, por 41%; e transportes públicos, por 33%.
A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, chama a atenção para o impacto dessa realidade na rotina das mulheres. “Elas têm que, cotidianamente, estar com um termômetro, um termômetro que indique aonde elas vão, com quem elas vão e até que horas elas podem ter a liberdade de permanecer na rua. É um estado constante de vigilância. As mulheres vivem em um estado constante de vigilância”, afirmou.
A especialista destaca ainda que a violência não atinge todas as mulheres da mesma forma. “A violência não é homogênea, porque se a mulher é negra e se a mulher é, por exemplo, transexual, ela vai sofrer muito mais violência, ela vai estar muito mais exposta. Então, também é preciso uma educação para a não discriminação, uma educação para a paz”, disse.
As estratégias de proteção adotadas pelas mulheres incluem mudanças de hábitos de lazer e a opção por algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo em trajetos curtos. O medo também afeta decisões profissionais e acadêmicas: 45% afirmam já ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por causa da violência. Outras medidas citadas são sair sem o cartão de crédito, usar aplicativos com recursos de segurança, andar com um celular reserva, praticar técnicas de defesa pessoal e carregar itens de proteção pessoal, como spray de pimenta.
As entrevistadas também apontaram caminhos para enfrentar o problema. Para 95%, é importante ampliar os canais de denúncia e apoio às vítimas. Outras 93% consideram necessário melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos. Percentual semelhante destaca a relevância da redução das desigualdades sociais e econômicas como parte das medidas de prevenção e enfrentamento.
O estudo ouviu 1,5 mil pessoas de 16 anos ou mais, de todas as regiões do país. Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas gratuitamente pelo Disque 180, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Fonte: Agência Brasil.
