
World Soccer Talk.
A proposta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de criar uma nova empresa comercial para gerir os direitos da Copa do Mundo e vender uma participação minoritária a investidores privados desencadeou uma das maiores crises de governança do futebol moderno. A resistência ao plano, que prevê a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma entidade avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, ultrapassou as fronteiras da Europa e já conta com manifestações públicas de confederações de todo o mundo.
O projeto, anunciado pela FIFA no fim de julho de 2026, prevê que a entidade mantenha o controle majoritário da FFE, mas abra mão de até 20% do negócio para investidores privados, com o objetivo de levantar aproximadamente US$ 4,2 bilhões. Segundo a FIFA, os recursos seriam redistribuídos entre suas 211 federações filiadas para ampliar o investimento no desenvolvimento do futebol em nível global. Infantino defendeu a iniciativa como parte de uma estratégia para “democratizar o futebol mundial” e afirmou que a proposta é “uma oferta, não uma obrigação”, garantindo que o processo de consulta continua democrático.
Apesar do discurso, a forma como o plano foi apresentado gerou forte reação. A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) foram as primeiras a se posicionar publicamente, concentrando suas críticas na falta de transparência e na ausência de consulta prévia. A CONCACAF declarou que tomou conhecimento da proposta por meio de reportagens da imprensa, e não por comunicação direta da FIFA. “Estamos profundamente preocupados com a falta de devido processo”, afirmou a entidade em nota publicada em 29 de julho de 2026.
A AFC seguiu a mesma linha, manifestando “decepção” por não ter sido consultada antes de um assunto de tamanha relevância vir a público. “A AFC não foi consultada sobre a proposta e está decepcionada por um assunto de tamanha importância ter entrado no domínio público antes que a família AFC tivesse a oportunidade de examiná-lo e discuti-lo por meio dos canais de governança apropriados e estabelecidos”, disse a confederação asiática. Ambas as entidades deixaram claro que não rejeitam a proposta em si, mas exigem que o processo seja conduzido com base em transparência, consulta significativa e boa governança.
O presidente da AFC, xeque Salman bin Ebrahim Al Khalifa, intensificou a pressão ao enviar uma carta aos 47 membros da confederação criticando duramente o tratamento dado pela FIFA ao caso. Segundo relatos, ele classificou a falta de consulta como “totalmente inaceitável” e questionou por que as federações receberam tão pouco tempo para avaliar um projeto que pode remodelar o futuro comercial do futebol. O xeque Salman também alertou que as ações unilaterais da FIFA parecem minar as bases do futebol continental, que depende de solidariedade, cooperação e transparência entre a entidade máxima e suas confederações regionais. Ele teria aconselhado as federações a não se comprometerem com a proposta até que novas discussões e revisões legais, financeiras e de governança sejam concluídas com a FIFA.
Enquanto CONCACAF e AFC concentraram suas críticas no processo de governança, a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) adotou a posição mais dura entre as confederações continentais. A entidade europeia acusou a FIFA de ultrapassar uma linha fundamental ao explorar a possibilidade de investimento privado na Copa do Mundo e advertiu que as instituições que governam o futebol jamais deveriam tratar o torneio mais prestigiado do esporte como um ativo comercial disponível para venda.
O episódio expõe um racha profundo na governança do futebol mundial e coloca em xeque a capacidade da FIFA de conduzir mudanças estruturais sem o apoio de suas principais confederações. A proposta, que poderia injetar bilhões de dólares no esporte, agora enfrenta incertezas sobre seu futuro, enquanto as federações membros aguardam esclarecimentos e um processo de consulta mais amplo. Até o momento, a FIFA não se manifestou oficialmente sobre as críticas das confederações, mas Infantino reiterou que a iniciativa segue em discussão e que o diálogo com todas as partes interessadas continuará.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/gianni-infantinos-world-cup-sale-plan-sparks-global-revolt-beyond-uefa-as-concacaf-and-afc-make-their-positions-known/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-07-30 13:40:00
