
A base do governo no Senado decidiu não levar a plenário, nesta quarta-feira (2), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 e reduz a jornada. A votação ficou para depois do primeiro turno das eleições, em outubro, diante da falta de segurança sobre os votos necessários para aprovar o texto.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AC), reconheceu o revés e atribuiu o adiamento a uma ação coordenada da oposição. “Hoje, houve um movimento bem sucedido da oposição”, afirmou, acrescentando que os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, teriam participado diretamente da desmobilização do plenário. “A oposição ao nosso governo é contra o fim da escala 6×1. Ponto”, disse.
A PEC já havia enfrentado resistência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde foi aprovada com quatro votos contrários entre os 27 senadores presentes. Rogério Marinho, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO) registraram votos contra a proposta.
Procurado pela Agência Brasil, Marinho não se manifestou até a publicação desta matéria. O senador apresentou uma alternativa que mantém a escala 6×1 e a jornada semanal máxima de 44 horas, com remuneração calculada conforme as horas trabalhadas e negociação direta entre empregados e empregadores.
Flávio Bolsonaro, que integra a CCJ, também foi procurado para comentar as declarações de Randolfe, mas não respondeu. Ele não participou da votação na comissão e, nos últimos dias, defendeu o pagamento por hora trabalhada sem confirmar como votaria no texto principal.
Análise WeekNews: O adiamento da votação indica que o governo não tem, neste momento, os votos suficientes para aprovar a matéria no plenário do Senado. A decisão de esperar as eleições sugere que a base governista pretende evitar um revés público em um tema caro à sua agenda, mas também expõe a força da oposição, que conseguiu esvaziar a sessão. A apresentação de uma proposta alternativa por Marinho mostra que o debate sobre a jornada de trabalho deve continuar polarizado após o pleito.
Fonte: Agência Brasil.
