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Uma das sobreviventes do ataque que matou quatro estudantes da Universidade de Idaho em novembro de 2022 pediu à juíza Megan Marshall, do condado de Latah, que reconsidere a ordem que autoriza a divulgação de vídeos e imagens nos quais seu rosto pode aparecer. Dylan Mortensen apresentou um depoimento por escrito no qual afirma que a exposição pública tem afetado sua rotina e sua segurança.
“Preocupo-me que até aparecer ao fundo da foto de alguém possa levar mais pessoas a me reconhecer ou a identificar onde estou”, escreveu Mortensen no documento enviado à magistrada. Segundo ela, o receio levou-a a adotar um nome alternativo em pedidos de entrega, no trabalho e até ao se apresentar a pessoas novas.
No depoimento, a sobrevivente relata que, desde novembro de 2022, ela e a família se mudaram nove vezes na tentativa de preservar a privacidade e a segurança. “Repórteres e estranhos que investigam o caso por conta própria apareceram na porta das nossas casas, seguiram familiares e invadiram nossa privacidade de maneiras que tornaram difícil nos sentirmos seguros”, afirmou.
Mortensen foi uma das primeiras pessoas a conversar com a polícia após os agentes serem chamados à casa na Rua King, 1122, em Moscow, no dia 13 de novembro de 2022. Ela também contou ter visto um homem mascarado dentro do imóvel depois das 4h do dia do crime e ter enviado mensagens a outra sobrevivente, Bethany Funke, sobre o episódio, sem acionar a polícia naquele momento. As autoridades só foram chamadas por volta do meio-dia, depois que as duas procuraram amigos que vieram à casa. Um deles encontrou os corpos de Xana Kernodle, 20 anos, e do namorado dela, Ethan Chapin, também de 20. Os policiais que atenderam a ocorrência ainda localizaram mortas Madison Mogen e Kaylee Goncalves, ambas de 21 anos, no andar superior.
No documento, Mortensen diz que, além de perder quatro amigos e viver uma experiência profundamente traumática, passou quase quatro anos lidando com atenção pública, assédio, ameaças e especulação constante sobre seu envolvimento nos fatos. “Pessoas que nunca me conheceram formaram opiniões sobre meu caráter, questionaram minhas ações e me acusaram de coisas com as quais eu não tinha absolutamente nada a ver”, escreveu. Ela acrescenta que é difícil se sentir plenamente à vontade em público quando precisa considerar constantemente se alguém sabe quem ela é e o que pode pensar a seu respeito.
A advogada de Mortensen, Robyn McPherson, entrou com pedido de habilitação no processo na semana passada, depois que a juíza concordou em liberar registros que estavam retidos, a pedido da empresa de mídia independente EWU Media LLC. A defesa também solicita que Marshall reconsidere a decisão de 20 de outubro e conceda uma suspensão até que o pedido e eventuais recursos sejam analisados. Segundo McPherson, a única proteção que resta à cliente é a tarja sobre seu rosto nos vídeos e fotografias policiais editados, e a divulgação de versões sem esse recurso configuraria uma “invasão injustificada da privacidade pessoal”.
O pedido de reconsideração requer que a juíza determine às autoridades de Moscow a identificação dos registros retidos, a submissão do material a uma revisão judicial privada, conhecida como “in-camera”, e a elaboração de um índice detalhado. A advogada argumenta que a cliente não pode defender plenamente seu direito à privacidade sem saber o que os documentos contêm. Ela afirmou que o procurador da cidade de Moscow lhe informou que os arquivos devem incluir entrevistas, fotografias e vídeos de Mortensen.
A EWU Media apresentou o pedido de acesso à informação pública em 28 de agosto de 2025, que foi ao menos parcialmente negado. A empresa então recorreu à Justiça para obrigar a cidade a divulgar o material, e Marshall acatou o pedido no mês passado. Em outra petição, McPherson relatou ter protocolado o pedido de reconsideração dias depois de saber que o procurador da cidade não pretendia contestar a decisão. A advogada sustenta ainda que os juristas municipais não apresentaram os arquivos em questão à juíza antes da decisão. McPherson pede a participação de sua cliente no caso para buscar a suspensão da divulgação de novas imagens e a revisão da ordem de Marshall, argumentando que nem as autoridades de Moscow nem os demais intervenientes — as famílias de Chapin e de Madison Mogen — compartilham seu interesse específico de privacidade.
Bryan Kohberger, apontado como autor do ataque, declarou-se culpado em julho de 2025 e tentou voltar atrás na confissão no início deste ano. O caso segue em tramitação diante de outro juiz. Marshall, que era a juíza de instrução original responsável pelo processo antes da denúncia formal contra Kohberger, em maio de 2023, autorizou em 20 de outubro a liberação de novos registros públicos. Uma audiência sobre o assunto está marcada para 12 de novembro. Kohberger deve voltar ao tribunal em 10 de dezembro para uma audiência sobre seu pedido de revisão pós-condenação.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/us/michael-ruiz-idaho-college-massacre-survivor-says-family-moved-9-times-strangers-followed-them.
Fonte: Fox News.
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2026-11-03 08:00:00

