
NME.
O Sziget Festival, realizado em uma área de Budapeste conhecida como ‘Ilha da Liberdade’, deu início à sua edição de 2026 com uma programação que desafiou convenções musicais. No primeiro dia do evento, que celebra seu 33º aniversário e reúne nomes como Florence + the Machine, Lewis Capaldi, Sombr e Twenty One Pilots, o público foi recebido por uma atmosfera única, com uma ponte adornada por esculturas de pássaros coloridos e uma banda marcial com ternos decorados com luzes LED. A diversidade de atrações, que incluía desde um carrossel até um idoso cantando ao piano na floresta, preparou o terreno para as apresentações que marcariam a noite.
O destaque da programação foi a primeira headline de Sombr em um festival europeu. O artista, nascido em Nova York e conhecido pelo nome real Shane Boose, subiu ao palco principal após uma ascensão meteórica, refletida na presença massiva do público húngaro. Com apenas um álbum de 37 minutos e algumas faixas avulsas, Sombr mostrou ousadia ao convidar a cantora Zara Larsson, que se apresentara no mesmo palco momentos antes, para uma participação especial. A dupla e dançarinos de Larsson saíram de uma van, brindaram com coquetéis vermelhos e caminharam juntos em direção ao palco, dando início ao show de forma celebratória.
A apresentação de Sombr foi marcada por um tom de sinceridade e conexão com o público. O artista agradeceu calorosamente ao povo húngaro e ofereceu palavras de conforto e solidariedade em meio ao cenário de conflitos e confusões do mundo atual. Antes de cantar ‘My Body Isn’t Ready’, ele direcionou uma mensagem a quem enfrenta problemas com imagem corporal, incentivando a ‘seguir em frente’ nas batalhas pessoais. Em outro momento, declarou: ‘Em Sombrland, você sempre será aceito’, reforçando um ambiente de acolhimento.
O encerramento do show foi apoteótico, com as duas maiores faixas do repertório até o momento. Sombr estendeu ‘Back To Friends’ e tocou ’12 To 12′ duas vezes, com a plateia demonstrando entusiasmo crescente a cada execução. Após a segunda versão, o artista declarou: ‘Eu não terminei, porra!’, evidenciando a energia do momento. A repetição da música, que poderia ser vista como um artifício, mostrou-se eficaz, e Sombr prometeu voltar ao festival ‘todos os anos até morrer’, deixando claro que terá mais surpresas reservadas.
Enquanto isso, no palco Revolut, o inovador do alt-R&B Dijon apresentou um show que desafiou qualquer rótulo. No meio da apresentação, ele ironizou: ‘Somos uma banda de rock’n’roll’, após transitar por baladas dos anos 1980, rap frenético, sintetizadores distorcidos e até um momento de funk.
Acompanhado por músicos talentosos que se posicionaram próximos uns dos outros, como em um ensaio, Dijon mostrou sua habilidade de desconstruir sucessos de R&B, incorporando novos ganchos e interrompendo outros, em um estilo que ele mesmo atribuiu à influência de Jai Paul e sua faixa ‘Jasmine’.
Questionado sobre possíveis barreiras ao sucesso comercial, ele respondeu: ‘Estou tentando descobrir como desfazer a barreira e não reconhecê-la, a ponto de fingir ignorância.’
A performance de Dijon foi marcada por uma intensidade emocional, com o artista alternando entre momentos em que se agachava com o microfone, cantando com sua voz rouca característica, e outros em que se refugiava atrás do violão, integrando-se ao grupo. Vestido de preto, com uma camiseta estampando a palavra ‘JESUS’, ele demonstrou uma postura despretensiosa, deixando a música falar por si. O som, mais encorpado do que em seus discos, foi tão vigoroso que um espectador próximo chegou a fazer flexões ao final da apresentação.
Na área do Yettel Colosseum, espaço circular ao ar livre com luzes projetando-se para o céu, a DJ e cantora irlandesa Jazzy assumiu a cabine após Syreeta, embalando o público com uma seleção de house music. O ponto alto foi uma versão instrumental de ‘Macarena’, do Los Del Río, que levou uma multidão para a pista de dança iluminada em azul gelo, enquanto uma girafa inflável balançava acima dos foliões.
A noite também reservou espaço para o metal extremo com Kim Dracula, artista da Tasmânia que, vestindo uniforme militar e cercado por uma banda de terno e sapatos, misturou deathcore, free jazz, gospel e pop-rap, antes de retornar a riffs pesados e um vocal gutural aterrorizante. O público não precisou de ordens para ‘bater a cabeça’, mas Kim as deu mesmo assim. Em um interlúdio, o artista deixou o palco para vestir uma capa com capuz, enquanto a banda executava o tema de James Bond.
No palco Buzz, o headbangers’ ball continuou com Perturbador, filho do ex-jornalista Nick Kent, que se apresentou atrás de um sintetizador, balançando os cabelos longos enquanto executava darkwave intenso. A performance encerrou um primeiro dia no Sziget que, entre participações especiais, experimentações sonoras e promessas de retorno, estabeleceu um tom de inovação e liberdade criativa para o restante do festival.
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Fonte: NME.
NME.
2026-08-12 09:04:00

