
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, resultado 66,6% superior ao do mesmo mês de 2025. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das exportações, que avançaram 24,9% no período, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A corrente de comércio, soma de exportações e importações, alcançou US$ 62,8 bilhões, o maior valor já registrado para um mês na série histórica.
As exportações somaram US$ 36,3 bilhões em junho, alta de 24,9% ante o mesmo mês de 2025. Já as importações totalizaram US$ 26,5 bilhões, crescimento de 14,4%. O superávit de US$ 9,8 bilhões foi o terceiro melhor para o mês, atrás apenas de junho de 2021 (US$ 10,414 bilhões) e de 2023 (US$ 10,077 bilhões).
O aumento das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, que exportou US$ 9,9 bilhões, alta de 58,4% ante junho do ano passado. A indústria de transformação respondeu por US$ 18 bilhões em exportações, crescimento de 14,7%, enquanto a agropecuária vendeu US$ 8,1 bilhões, avanço de 18%.
Entre os produtos em destaque, o petróleo bruto registrou aumento de 78,9% nas exportações, seguido pelo minério de ferro, com alta de 20%. Na indústria de transformação, os combustíveis cresceram 88,8%, as carnes de aves avançaram 62,4% e a carne bovina subiu 39,2%. Na agropecuária, a soja teve alta de 17,3%, os animais vivos dispararam 208,8% e o algodão bruto cresceu 64,1%.
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia sobre as exportações brasileiras, embora já existam relatos de maior interesse de importadores europeus.
As exportações cresceram para a maior parte dos principais mercados do Brasil, incluindo os Estados Unidos, apesar das tensões comerciais entre os dois países. As vendas para os EUA avançaram 3,7% entre maio e junho, mesmo em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Por região, a Ásia comprou US$ 17,4 bilhões (+29,9%), a Europa US$ 6,4 bilhões (+43,9%), a América do Norte US$ 4,9 bilhões (+8,5%) e a América do Sul US$ 3,9 bilhões (+7%).
As importações também cresceram em junho, puxadas por bens de consumo e bens intermediários. As compras de bens intermediários somaram US$ 15,1 bilhões (+10,9%), bens de consumo US$ 5,7 bilhões (+34%), bens de capital US$ 3,5 bilhões (+5,7%) e combustíveis US$ 2,2 bilhões (+11,6%).
No acumulado do primeiro semestre, a balança comercial registrou superávit de US$ 42,4 bilhões. As exportações somaram US$ 184,8 bilhões (+11,5%) e as importações US$ 142,4 bilhões (+5,1%), resultando em saldo 40,3% superior ao do mesmo período de 2025.
Diante do desempenho do comércio exterior no primeiro semestre, o MDIC revisou para cima sua projeção para 2026. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão de exportações foi elevada de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões, e a projeção para as importações passou de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.
As estimativas oficiais são mais otimistas que as das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado projetam superávit comercial de US$ 76,2 bilhões para este ano.
Fonte: Agência Brasil.
