
Uma caminhada de cerca de 20 minutos é suficiente para percorrer um trecho de Mata Atlântica preservada, conhecer parte da história da recuperação ambiental da Floresta da Tijuca e descobrir uma paisagem que contrasta com a imagem mais conhecida da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. A experiência ocorre na Reserva Florestal Sítio dos Macacos, localizada na Estrada da Gávea, acesso entre a comunidade e o Parque Nacional da Tijuca, e integra o roteiro do projeto Na Favela Turismo.
Poucos metros após deixar uma das vias mais movimentadas da comunidade, o cenário se transforma. O som do trânsito dá lugar ao canto de sabiás, sanhaços e bem-te-vis, enquanto nascentes de águas cristalinas acompanham o percurso em meio à vegetação da Mata Atlântica. A trilha está inserida na Floresta da Tijuca, reconhecida como a maior floresta urbana replantada do mundo, e guarda um capítulo importante da história ambiental brasileira.
Em 1861, depois que o desmatamento das encostas para o cultivo de café comprometeu o abastecimento de água da então capital do Império, dom Pedro 2º determinou o início do reflorestamento da região. Sob a coordenação do major Manuel Gomes Archer, milhares de árvores foram plantadas para recuperar as nascentes que abasteciam a cidade. Mais de um século e meio depois, esse legado permanece vivo e pode ser percorrido pelos visitantes da reserva.
Ao longo do caminho, além da diversidade de árvores nativas e frutíferas — como jaqueiras, jabuticabeiras, mangueiras, bananeiras e pitangueiras —, um antigo muro de pedras preservado em meio à floresta chama a atenção. Tradicionalmente associado ao trabalho de 11 homens escravizados, o monumento integra a memória histórica do lugar e amplia o significado da visita para além do contato com a natureza.
A reserva também desenvolve ações voltadas à sustentabilidade, com produção de adubo orgânico a partir de resíduos vegetais e um viveiro de mudas de espécies ornamentais e nativas. O passeio termina em uma piscina natural alimentada por nascentes, um dos pontos mais procurados pelos visitantes.
Criador do Na Favela Turismo, o empreendedor social Renan Monteiro afirma que a proposta é apresentar uma dimensão pouco conhecida da Rocinha. “A trilha do Sítio dos Macacos revela uma Rocinha que surpreende até quem pensa que já conhece a comunidade. É um encontro entre natureza, história e pertencimento, mostrando que a favela também preserva paisagens, memórias e experiências capazes de transformar a forma como as pessoas enxergam esse território”, diz.
Segundo Monteiro, o turismo de base comunitária busca aproximar visitantes da riqueza ambiental e cultural da comunidade, ao mesmo tempo em que gera oportunidades para os moradores. “Cada passo na trilha do Sítio dos Macacos é um convite para descobrir a potência da Rocinha além dos estereótipos. Nosso propósito é conectar visitantes à riqueza ambiental e cultural da comunidade, gerando oportunidades para os moradores e fortalecendo um turismo que valoriza quem vive aqui”, afirma.
A iniciativa procura integrar conservação ambiental, valorização do patrimônio histórico e desenvolvimento local. Para os organizadores, a proximidade entre a comunidade e uma das áreas mais importantes da Floresta da Tijuca demonstra que a preservação ambiental também faz parte da identidade da Rocinha.
Serviço: A Reserva Florestal Sítio dos Macacos fica na Estrada da Gávea, acesso pela Rocinha, dentro do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. A visitação inclui trilha interpretativa de aproximadamente 20 minutos, com observação de aves, árvores frutíferas, patrimônio histórico, viveiro de mudas e banho em piscina natural. O agendamento prévio e o acompanhamento por condutores locais são recomendados. O projeto responsável é o Na Favela Turismo.
Fonte: Agência Brasil.
