Uefa mantém boicote à Fifa e diz que pedido de desculpas de Infantino não muda nada

Uefa mantém boicote à Fifa e diz que pedido de desculpas de Infantino não muda nada
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World Soccer Talk.

A Uefa segue firme na ameaça de boicotar as competições da Fifa e afirma que o pedido de desculpas do presidente da entidade, Gianni Infantino, “não muda nada” em sua posição. A postura foi mantida dias depois de a Fifa realizar uma reunião em Rabat, no Marrocos, na tentativa de conter os efeitos do plano fracassado de Infantino de vender uma participação na Copa do Mundo.

Na cúpula de quarta-feira, Infantino retirou formalmente a controversa proposta Fifa Forward Enterprise e recebeu apoio público da liderança da Fifa, incluindo o secretário-geral Mattias Grafström e o conselho de administração da organização. Em seguida, a Fifa divulgou um comunicado reconhecendo que “erros” foram cometidos e pedindo desculpas ao seu conselho e às associações membros, comprometendo-se a garantir que tais erros não se repitam.

A Uefa, no entanto, não se mostrou convencida, de acordo com Ben Jacobs, do Talk Sport. A confederação estabeleceu duas condições para suspender a ameaça de boicote: que a proposta de venda das principais competições da Fifa seja totalmente retirada e que haja garantias de que tentativas de “desfigurar o jogo” não voltem a ocorrer.

Em comunicado, a Uefa afirmou que “essas condições não foram atendidas” e acrescentou que o apoio interno a Infantino por parte de funcionários da Fifa, “cujas carreiras dependem do seu favor, não muda nada”. A entidade reiterou que “perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino” e que sua posição permanece inalterada.

A pressão contra Infantino vai além da Uefa. As federações membros da Concacaf também manifestaram esmagadora perda de confiança na liderança do dirigente, a Federação Inglesa de Futebol retirou formalmente seu apoio e a Confederação Asiática de Futebol se opôs à proposta original.

A Uefa chegou a enviar à Fifa uma carta de preservação de documentos para resguardar possíveis evidências. O primeiro teste real da ameaça de boicote está previsto para 5 de setembro, quando a Copa do Mundo Feminina Sub-20 da Fifa começa na Polônia.

O mandato atual de Infantino como presidente da Fifa vai até março de 2027, mas sem a cooperação da Uefa, a organização corre o risco de perder o acesso à maioria das maiores nações do futebol mundial.

A decisão da Uefa de manter o boicote ocorre em meio a um cenário de crescente descontentamento com a gestão de Infantino, que já havia enfrentado críticas por tentativas anteriores de concentrar poder e por decisões polêmicas envolvendo o calendário internacional e a realização de eventos em países com histórico de violações de direitos humanos.

A reunião de Rabat, convocada para apaziguar os ânimos, não conseguiu reverter o quadro. Apesar do apoio público de parte da cúpula da Fifa, a Uefa e outras confederações regionais seguem céticas quanto à disposição de Infantino em mudar sua postura.

Agora, os olhos se voltam para a Copa do Mundo Feminina Sub-20, que pode se tornar o primeiro grande teste do boicote. Se a Uefa confirmar a ausência de suas seleções e árbitros, o torneio na Polônia sofrerá um impacto significativo, tanto em termos de competitividade quanto de audiência.

Enquanto isso, a Fifa tenta minimizar o racha, mas a Uefa deixa claro que não recuará enquanto não houver garantias concretas de que a venda de competições está definitivamente descartada e que o processo de tomada de decisões será mais transparente e inclusivo.

A crise institucional entre as duas entidades é a mais grave desde a cisão que levou à criação da Superliga Europeia, e pode ter consequências de longo prazo para o futebol internacional, especialmente em um momento em que a Fifa busca ampliar sua receita e modernizar seus torneios.

A posição da Uefa é respaldada por uma série de federações nacionais, que veem na atitude de Infantino uma ameaça à integridade do esporte. A exigência de que o projeto seja arquivado em definitivo e que haja compromisso público de não repetição é vista como condição mínima para qualquer reaproximação.

Por ora, a bola está com a Fifa. A entidade máxima do futebol terá que decidir se cede às pressões ou se arrisca a enfrentar um boicote sem precedentes, que poderia esvaziar seus principais torneios e abalar sua credibilidade no cenário internacional.

Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/uefa-reportedly-stands-firm-on-fifa-boycott-despite-gianni-infantinos-apology/.

Fonte: World Soccer Talk.

World Soccer Talk.

2026-08-06 16:43:00

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