Vendas do Tesouro Direto atingem segundo maior valor da história em junho, impulsionadas por novo título

Vendas do Tesouro Direto atingem segundo maior valor da história em junho, impulsionadas por novo título
Fonte da imagem: Agência Brasil


As vendas de títulos públicos federais a pessoas físicas pela internet alcançaram o segundo maior volume da história em junho, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (28) pelo Tesouro Nacional. No mês passado, o Tesouro Direto comercializou R$ 14,76 bilhões em papéis, valor que fica apenas R$ 30 milhões abaixo do recorde histórico de março, quando as vendas somaram R$ 14,79 bilhões.

O resultado de junho representa um crescimento de 44,51% em relação a maio, quando as vendas totalizaram R$ 10,22 bilhões. Na comparação com junho do ano passado, o aumento é de 156,03%. O desempenho foi impulsionado pelo novo título Tesouro Reserva, indexado à taxa básica de juros e com funcionamento similar ao das caixinhas de bancos digitais. Esse papel respondeu por R$ 2,09 bilhões em vendas, o equivalente a 14,2% do total.

Os títulos vinculados aos juros básicos foram os mais procurados pelos investidores, com participação de 54,5% nas vendas. Dentro desse grupo, as tradicionais Letras Financeiras do Tesouro (LFT) somaram R$ 4,16 bilhões (28,2% do total). Os papéis corrigidos pela inflação, medidos pelo IPCA, corresponderam a 34,3% das vendas, enquanto os prefixados, com juros definidos no momento da emissão, representaram 16,7%.

O interesse por papéis atrelados à Selic é explicado pelo alto nível da taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano. Os títulos vinculados à inflação também têm atraído investidores diante da expectativa de alta do IPCA nos próximos meses.

Entre os títulos com finalidade específica, o Tesouro Renda+, lançado no início de 2023 e voltado ao financiamento de aposentadorias, respondeu por 4,6% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 para poupança para o ensino superior, atraiu apenas 2% das vendas.

O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 262,47 bilhões no fim de junho, alta de 4,57% em relação ao mês anterior (R$ 251,01 bilhões) e de 45,53% na comparação com junho do ano passado (R$ 180,35 bilhões). O crescimento do estoque ocorreu tanto pela correção dos juros quanto pelo fato de as vendas terem superado os resgates em R$ 10,1 bilhões no último mês.

Em relação ao número de investidores, 261.877 novos participantes ingressaram no programa em junho. O total de investidores cadastrados chegou a 35.853.678, com alta de 9,53% nos últimos 12 meses. Já o número de investidores ativos — aqueles com operações em aberto — atingiu 3.689.486, crescimento de 21,19% no mesmo período.

A presença de pequenos investidores é evidenciada pelo fato de que 75,4% das 1.530.276 operações de venda realizadas em junho foram de até R$ 5 mil. As aplicações de até R$ 1 mil representaram 50,7% do total. O valor médio por operação foi de R$ 9.648,34.

Quanto ao prazo dos títulos, os investidores têm preferido papéis de médio prazo. As vendas de títulos com vencimento entre cinco e dez anos representaram 45,7% do total. As operações com prazo de até cinco anos corresponderam a 37,9%, e os papéis com mais de dez anos, a 16,4%.

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 com o objetivo de popularizar o investimento em títulos públicos e permitir que pessoas físicas adquiram esses papéis diretamente do Tesouro Nacional, pela internet, sem intermediação de agentes financeiros. O investidor paga apenas uma taxa à B3, descontada nas movimentações. A venda de títulos é uma das formas de o governo captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos; em troca, o Tesouro se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar conforme a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa pré-fixada.

Fonte: Agência Brasil.

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