
O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) à Polícia Federal, marcado para esta sexta-feira (7), foi adiado a pedido da defesa do parlamentar. O advogado Pablo Domingues informou que problemas técnicos impediram o acesso integral ao conteúdo da investigação, o que inviabilizaria a preparação adequada da defesa. Com isso, o senador só prestará esclarecimentos depois de conhecer todos os elementos reunidos no inquérito.
A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura a relação de Wagner com o empresário Augusto Lima, apontado pelos investigadores como um dos elos entre o senador e o caso Banco Master. A Polícia Federal também investiga suspeitas de vantagens indevidas e possíveis vínculos entre pessoas do entorno do senador e empresas relacionadas ao caso.
Em nota, o advogado Pablo Domingues afirmou que o pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês. A defesa sustenta que Jaques Wagner pretende depor, mas apenas após ter acesso ao que efetivamente está sendo investigado.
O senador foi intimado pela PF em 21 de julho e nega qualquer irregularidade. Além da intimação, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Wagner também foi alvo de buscas e de medida de restrição de atividades econômicas. A defesa não informou uma nova data para o depoimento, que deverá ser remarcado após a regularização do acesso aos autos.
A Operação Compliance Zero é um desdobramento das investigações que envolvem o Banco Master, instituição financeira que está sob suspeita de fraudes. A Justiça do Rio de Janeiro já determinou o bloqueio de contas do banco, e o ministro André Mendonça prorrogou o inquérito que apura as irregularidades. O caso ganhou repercussão nacional e envolve figuras políticas e empresariais.
Jaques Wagner, que é uma das lideranças do PT e ex-governador da Bahia, tem negado envolvimento em qualquer ato ilícito. A defesa argumenta que o senador sempre esteve à disposição das autoridades para esclarecer os fatos e que o adiamento do depoimento é uma medida necessária para garantir o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A Polícia Federal não se manifestou oficialmente sobre o adiamento, mas a medida é considerada procedimento padrão em casos em que a defesa solicita acesso integral aos autos antes de um interrogatório. A expectativa é que, uma vez resolvidos os problemas técnicos, o depoimento seja remarcado para as próximas semanas.
Enquanto isso, as investigações continuam em sigilo, e novos desdobramentos podem surgir a qualquer momento. O caso Banco Master já resultou em medidas cautelares contra envolvidos, e a Operação Compliance Zero segue em curso, com a análise de documentos, quebras de sigilo e oitivas de testemunhas.
A situação de Jaques Wagner é acompanhada de perto pelo meio político, uma vez que ele é uma figura influente no cenário nacional. O desfecho das investigações poderá ter implicações políticas e jurídicas significativas, tanto para o senador quanto para outros envolvidos.
Até o momento, não há informações sobre quando o depoimento será retomado, nem sobre a conclusão das investigações. A defesa do senador afirma que ele está tranquilo e confiante de que os fatos serão esclarecidos, e que a verdade prevalecerá.
Fonte: Agência Brasil.
