ANPD manda Discord suspender transmissões ao vivo no Brasil após morte de adolescente em live

ANPD manda Discord suspender transmissões ao vivo no Brasil após morte de adolescente em live
Fonte da imagem: Agência Brasil


A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), que o Discord suspenda, em todo o território nacional, as funcionalidades de transmissões ao vivo e compartilhamento de vídeos. A decisão, de caráter preventivo, foi tomada após a plataforma ser usada em um caso que resultou na morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrido em 22 de julho, na cidade de Naviraí, em Mato Grosso do Sul.

A empresa tem até três dias para cumprir a determinação. Segundo a ANPD, a suspensão deverá ser mantida até que o Discord comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes que utilizam a plataforma. A agência não detalhou quais providências específicas espera da companhia, mas a medida visa coibir novos episódios de violência e coação contra menores de 18 anos.

O caso que motivou a ação da ANPD ocorreu durante uma live transmitida em tempo real por canais do Discord. A adolescente, moradora de Naviraí, foi induzida a tirar a própria vida durante a transmissão. O episódio chocou a comunidade local e ganhou repercussão nacional, levando as autoridades a investigarem uma possível rede criminosa que atuava na plataforma.

A investigação, batizada de Operação Lívia, foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O objetivo é aprofundar as apurações sobre uma suposta organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, onde eram submetidas a coerção psicológica e convencidas a praticar atos extremos.

De acordo com as investigações, os jovens eram coagidos a cometer violência contra animais, principalmente gatos, além de participar de desafios de automutilação e até mesmo serem levados ao autoextermínio. A Operação Lívia já teve sua primeira fase concluída, resultando na apreensão de cinco adolescentes com idades entre 13 e 17 anos e na detenção de um homem de 18 anos.

Durante a primeira fase da operação, também foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em cinco estados: Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. As ações contaram com a colaboração de policiais civis locais, que auxiliaram nas diligências fora do estado de origem.

A determinação da ANPD ocorre em um momento de crescente preocupação com a segurança de crianças e adolescentes em plataformas digitais. O Discord, que é amplamente utilizado por jovens para comunicação em grupos, já havia sido alvo de outras iniciativas de proteção. O Ministério Público de São Paulo, por exemplo, chegou a encaminhar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) à plataforma, e a empresa também apresentou à Advocacia-Geral da União (AGU) uma proposta para reforçar a segurança de menores.

A ANPD, no entanto, avaliou que as medidas existentes não eram suficientes para evitar novos casos como o de Naviraí. A suspensão das transmissões ao vivo e do compartilhamento de vídeos é uma medida drástica, mas considerada necessária para interromper imediatamente o uso da plataforma para práticas criminosas contra crianças e adolescentes.

A empresa Discord ainda não se manifestou publicamente sobre a determinação da ANPD. A decisão da agência reguladora é mais um capítulo na crescente pressão sobre as plataformas digitais para que adotem políticas mais rígidas de proteção a menores, especialmente em um contexto em que crimes como o registrado em Mato Grosso do Sul expõem a vulnerabilidade de jovens em ambientes virtuais.

A Operação Lívia segue em andamento, e as autoridades não descartam novas fases. Enquanto isso, a ANPD aguarda que o Discord cumpra a determinação no prazo estipulado, sob pena de sanções. A medida preventiva permanece em vigor até que a empresa comprove a implementação de mecanismos eficazes de proteção, como moderação mais rigorosa, monitoramento de conteúdo e canais de denúncia acessíveis.

O caso de Naviraí, que resultou na morte da adolescente, serve de alerta para os riscos que crianças e adolescentes enfrentam em plataformas digitais. A atuação conjunta da Polícia Civil, do Ministério da Justiça e da ANPD demonstra a gravidade da situação e a necessidade de respostas rápidas e eficazes para coibir a exploração e a violência contra menores no ambiente online.

Fonte: Agência Brasil.

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