
As principais centrais sindicais do país definiram uma agenda de mobilização para tentar garantir a votação, ainda antes do primeiro turno das eleições, da proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6×1. A decisão foi tomada em reunião do Fórum das Centrais Sindicais nesta sexta-feira (4), após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciar que a matéria só será analisada depois do pleito.
A PEC 221/2019, que tramita no Senado, foi aprovada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com apenas quatro votos contrários. A expectativa dos sindicalistas era de que o texto fosse levado ao plenário ainda nesta semana, o que não ocorreu.
Entre as ações planejadas estão a intensificação de panfletagens em centros comerciais, onde a jornada 6×1 é mais comum, o reforço da mobilização nas redes sociais e a organização de novos protestos de rua. As centrais também pretendem solicitar uma audiência com Alcolumbre para defender a votação imediata e denunciar parlamentares contrários à redução da jornada.
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, classificou o adiamento como uma surpresa negativa e afirmou que o senador “virou as costas” para os trabalhadores. “Mais de 70% da população brasileira é a favor da PEC. Vejo esse adiamento com muita preocupação porque, se deixar para depois da eleição, podemos voltar para a estaca zero”, disse.
Para o diretor da executiva da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Paulo de Oliveira, a decisão é desleal com os trabalhadores que vão às urnas. “Como passou o primeiro turno, não há mais preocupação com os votos e aí eles podem atender outros interesses que não os da grande massa da população”, argumentou.
Já o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Ricardo Patah, lembrou que a luta pela redução da jornada para 40 horas semanais é antiga. “Tivemos uma vitória extraordinária na CCJ, onde apenas quatro senadores foram contrários e todos eles não vão disputar eleição agora. Temos a expectativa de falar com Alcolumbre e resolver isso”, afirmou.
As entidades defendem que a mudança melhora a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores, além de argumentarem que os custos podem ser absorvidos pelas empresas, como ocorreu quando a jornada caiu de 48 para 44 horas em 1988.
Do lado patronal, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) pediu que a votação seja adiada para depois das eleições. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defendeu que mudanças constitucionais nas relações de trabalho exigem análise técnica e diálogo, e não devem ser conduzidas sob pressão do calendário eleitoral.
A Agência Brasil procurou a assessoria de Alcolumbre para comentar o tema, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Análise WeekNews: O movimento das centrais sindicais indica que o adiamento da votação, anunciado após a aprovação na CCJ, tende a ampliar a pressão política sobre o Senado em um período eleitoral. A decisão de buscar diálogo direto com Alcolumbre e, ao mesmo tempo, organizar manifestações públicas sugere que os sindicatos pretendem manter o tema em evidência até o fim do atual ciclo legislativo. A divergência entre trabalhadores e patrões sobre os impactos econômicos da medida, com estudos ainda sem consenso, deve continuar alimentando o debate público sobre a proposta.
Fonte: Agência Brasil.
