
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou nota pública nesta quarta-feira (9) em que pede moderação às autoridades envolvidas na crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e alcança o procurador-geral da República, Paulo Gonet. No texto, a entidade conclamou os agentes públicos a agirem com serenidade e apego à legalidade, confiando que as instituições têm mecanismos próprios para superar divergências.
A manifestação ocorre em meio ao agravamento do conflito entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, que culminou, nesta semana, no afastamento e posterior reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A ANPR, que representa cerca de mil procuradores da República, destacou que a preservação das instituições é essencial para a capacidade do Estado de proteger direitos e garantir a ordem democrática.
A crise teve início na semana passada, quando Mendonça divulgou relatórios parciais da Operação Compliance Zero, da qual é relator. A investigação apura suposta corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material inclui 52 mensagens recuperadas do celular apreendido de Vorcaro, que, segundo os investigadores, teriam sido enviadas por ele a Moraes. Em alguns trechos, há menção a pedidos de proteção a Andrei e Paulo, que os responsáveis pelo inquérito afirmam ser Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.
Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro. As respostas do interlocutor às mensagens não puderam ser resgatadas, conforme informaram os investigadores. Gonet, por sua vez, pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que anule todo o material divulgado por Mendonça, argumentando que o ministro teria agido de forma irregular ao avançar contra um colega sem autorização do plenário da Corte.
A ANPR afirmou ainda que a democracia brasileira já demonstrou capacidade de autocorreção pelas vias institucionais em momentos de tensão e que espera ver prevalecer o caminho da legalidade, do diálogo entre os Poderes e do respeito mútuo entre as instituições.
Fonte: Agência Brasil.
