
O Boca Juniors venceu o Vasco por 3 a 1 na noite desta terça-feira (20), no Maracanã, e avançou à final da Copa Sul-Americana. O resultado reverteu a derrota por 1 a 0 sofrida na Bombonera, em Buenos Aires, uma semana antes, e manteve o clube argentino como um dos adversários mais difíceis para times brasileiros em confrontos eliminatórios.
Com a classificação, o Boca chegou à 19ª vitória em 27 duelos de mata-mata contra rivais do Brasil, incluindo finais, um aproveitamento de 70,4%. Nesta edição da Sul-Americana, o Vasco é a segunda vítima brasileira dos argentinos. Nas quartas de final, o Boca eliminou o São Paulo: venceu por 1 a 0 em casa e segurou o empate em 1 a 1 no Morumbis.
O jogo no Maracanã começou com o Boca precisando reverter a desvantagem, e a tarefa foi cumprida cedo. Aos quatro minutos, o lateral Lautaro Blanco cobrou escanteio pela esquerda e o zagueiro Lautaro Di Lollo marcou de cabeça. Aos 33, Sebastian Villa lançou Miguel Merentiel às costas da defesa cruzmaltina, e o camisa 16 finalizou na saída do goleiro Léo Jardim para ampliar.
No segundo tempo, o técnico Pedro Emanuel fez substituições que melhoraram o Vasco. As entradas de Marino Hinestroza, Brenner e Puma Rodríguez deram mais qualidade ao ataque. Aos 20 minutos, após desarme de Robert Renan, Cuiabano cruzou pela esquerda e Puma apareceu na área para bater forte no canto de Álvaro Montero. O gol animou os cerca de 66 mil presentes, que cantavam que o Vasco era “o time da virada”.
A reação, porém, foi interrompida por um chute de fora da área do volante Leandro Paredes, com força e efeito, no meio do gol, que surpreendeu Léo Jardim. A falha do goleiro decretou a eliminação do time da casa.
A realização da partida no Maracanã foi alvo de uma longa disputa judicial entre o Vasco e o consórcio formado por Flamengo e Fluminense, responsável pela administração do estádio. Foram três semanas de idas e vindas e ameaça da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) de transferir o jogo para o Paraguai.
O adversário do Boca na decisão pode ser mais um brasileiro. Nesta quarta-feira (21), às 19h (horário de Brasília), o Atlético-MG enfrenta o Montevideo City Torque no Centenário, em Montevidéu. Na semana passada, o Galo venceu por 3 a 0 na Arena MRV, em Belo Horizonte, e pode até perder por dois gols de diferença que ainda assim avança.
A fama do Boca em mata-matas contra brasileiros tem raízes antigas. Em 2003, pelas oitavas da Libertadores, o time argentino se recuperou de uma derrota por 1 a 0 para o Paysandu na Argentina com um 4 a 2 no Mangueirão, em Belém. No mesmo ano, venceu o Santos por 3 a 1 no Morumbi na final. Quatro anos depois, fez 2 a 0 no Grêmio no Olímpico, em Porto Alegre, para assegurar outro título continental.
Nos últimos anos, clubes brasileiros haviam reduzido essa diferença: de 2021 para cá, Santos, Atlético-MG, Corinthians, Cruzeiro e Fluminense levaram a melhor em mata-matas contra os argentinos. O Boca não vencia um jogo em território brasileiro desde 2010, quando bateu o Internacional por 1 a 0 no Beira-Rio. A noite desta terça-feira, porém, recolocou o clube na condição de algoz.
Análise WeekNews: A classificação do Boca confirma um padrão histórico que o futebol brasileiro conhece bem. Mesmo com o Vasco tendo aberto vantagem na Argentina, o time argentino mostrou que, em confrontos eliminatórios, o retrospecto de 70,4% de êxito contra clubes do Brasil não é coincidência. A vitória no Maracanã, palco de tantas decisões, reforça a capacidade do Boca de se impor fora de casa em jogos de mata-mata, algo que o Atlético-MG, possível adversário na final, terá de levar em conta.
Fonte: Agência Brasil.
