Plebiscitos nos EUA rejeitam data centers e pressionam ações de tecnologia

Plebiscitos nos EUA rejeitam data centers e pressionam ações de tecnologia
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Em 40 dos 41 plebiscitos locais realizados na terça-feira (3), durante as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, os eleitores rejeitaram projetos de data centers ligados às big techs. As consultas ocorreram em dez estados e, segundo a organização não governamental Ballotpedia, que sistematiza os resultados, os índices de rejeição superaram 60% em diversos casos. Em Ottawa, no Kansas, a proibição de construir centros que consumam mais de 25 megawatts de energia venceu com 72% dos votos.

A maior parte dos plebiscitos partiu de iniciativas populares, por meio de petições. Ao todo, os estados americanos programaram 50 consultas sobre o tema em 2026: 41 foram realizadas na última terça-feira e três estão previstas para dezembro. Dos 47 já concluídos, apenas um foi favorável à instalação dos empreendimentos. As propostas em geral pedem restrições ou proibições a data centers com demanda igual ou superior a 25 megawatts, faixa que corresponde a centros de hiperescala.

Apoiadores reagem após veículos de comunicação projetarem a vitória do candidato democrata ao Senado dos EUA e representante estadual do Texas, James Talarico, nas eleições de meio de mandato nos EUA, em Austin, Texas, EUA, em 3 de novembro de 2026
REUTERS/Mike Segar
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O movimento eleitoral teve reflexo nos mercados. Nesta sexta-feira (6), as bolsas ao redor do mundo operavam em queda, em parte pela baixa das ações das gigantes de tecnologia. O índice Nasdaq Composite registrava recuo de 5,5%. O resultado das urnas também retirou do presidente Donald Trump as maiorias na Câmara e no Senado.

Pesquisa da NBC News com eleitores na boca da urna indicou que 57% acreditam que a inteligência artificial fará mais mal do que bem à sociedade e que 76% eram contrários à construção de data centers em suas comunidades. Segundo o diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, 56% dos eleitores consideraram a IA e os data centers fatores importantes ou decisivos no voto. Para ele, o fenômeno atravessa as divisões partidárias tradicionais e expressa uma exigência de controle democrático sobre a expansão da tecnologia.

Elon Musk gestures at the podium inside the Capital One arena on the inauguration day of U.S. President Donald Trump
Fonte da imagem: Agência Brasil

O economista André Roncaglia, professor da Universidade de Brasília (UnB), explicou que o resultado abalou a coalizão política que sustenta Trump, da qual as big techs são aliadas relevantes. Ele observou que estados com menos regulação para data centers recebiam mais investimentos, o que gerou impactos ambientais e encareceu energia e água, alimentando a reação popular. Roncaglia acrescentou que a maioria democrata no Congresso sinaliza ao mercado que o ambiente sem regulação para IA e data centers deve mudar, abrindo um processo de acomodação a partir de uma arbitragem regulatória do setor.

Candidatos democratas defenderam maior regulação do setor, posição contrária à de Trump, que rejeita regras capazes de inibir investimentos. Em setembro deste ano, o presidente anunciou uma agenda de autorregulação, pela qual as próprias big techs definiriam mecanismos de segurança e controle. A deputada eleita pelo Arizona, Yassmin Ansari, afirmou que o topo da agenda democrata deve ser uma pausa no desenvolvimento de IA avançada, a regulação da indústria e a proibição à superinteligência artificial.

Análise WeekNews: A votação mostra que a rejeição a data centers deixou de ser tema técnico e passou a integrar a disputa eleitoral americana, com impacto direto sobre o custo de energia e água nas comunidades. A mudança de maioria no Congresso e a sinalização de regulação tendem a alterar o ambiente de investimento do setor, o que ajuda a explicar a correção das ações de tecnologia. O episódio sugere que a expansão da IA passa a depender também do aval das urnas, e não apenas das decisões das empresas.

Fonte: Agência Brasil.

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