
A menos de 48 horas do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para este domingo (8), especialistas ouvidos pela Agência Brasil recomendam que os candidatos priorizem o descanso em vez de revisões de última hora. Segundo eles, a preparação socioemocional é decisiva para evitar que a ansiedade se torne paralisante e comprometa o desempenho.
A psicóloga Wilma Amorim, professora da Afya Porto Nacional, explica que a tensão típica do período vem da percepção de que a capacidade do candidato está sendo testada e do peso que o exame carrega para o futuro profissional. O Enem simboliza o acesso ao ensino superior e a concretização de projetos construídos ao longo de anos, o que gera receio de falhar, insegurança e cobrança excessiva.
A especialista ressalta, no entanto, que certo nível de agitação é esperado e pode ser produtivo. “É bom deixar claro que o problema não é sentir ansiedade, mas quando ela se torna intensa, a ponto de prejudicar a concentração, a questão do sono, da memória, é aí que se torna um problema. Mas é benéfica essa ansiedade de friozinho na barriga”, avalia.
Na avaliação de Stephanie Zanini, pós-graduada em psicologia positiva e diretora de Programas de Desenvolvimento de Lideranças do Ensina Brasil, abrir mão do autocuidado para estender as horas de estudo nas vésperas da prova prejudica o aprendizado e derruba o desempenho. Para ela, a base teórica já foi consolidada ao longo do ano letivo.
“Não vai adiantar você tentar ler todos os livros e decorar todas as fórmulas nas últimas 24 horas antes do Enem. Esse é o momento de você ir num cinema, de você conseguir relaxar, de você comer uma comidinha que você gosta, estar com quem você ama. Porque o que você tinha que aprender, você já fez nas últimas semanas, nos últimos anos”, explica.
As duas especialistas recomendam cuidados com a saúde física, como sono adequado, alimentação equilibrada e descanso. Também sugerem antecipar a logística da prova, visitando o local com antecedência e separando documentos e materiais, para evitar picos de ansiedade de última hora. Outra orientação é reduzir o tempo de tela, já que as redes sociais tendem a intensificar comparações nocivas entre candidatos e alimentar sentimentos de incapacidade e angústia.
O apoio da família é apontado como fundamental para diminuir a pressão sobre os estudantes. Os especialistas recomendam uma postura de escuta atenta que valorize o esforço do ano, respeitando a individualidade de cada jovem — alguns preferem momentos de introspecção, enquanto outros se sentem mais confortáveis conversando sobre os temas da prova.
Apresentar alternativas concretas para diferentes cenários de resultado, garantir estabilidade emocional e colaborar com a rotina logística nas horas prévias também ajudam a reduzir a sobrecarga. Por outro lado, os especialistas desaconselham frases que criem cobrança por boa performance, como “você precisa passar” ou “estamos investindo em você”. Segundo Amorim, cobranças explícitas ampliam o medo de decepcionar e agravam o desgaste emocional.
“O estudante precisa de apoio, de incentivo e segurança emocional. A família deve transmitir essa confiança, sabendo que houve uma preparação e que esse sentimento da família querer o melhor, não pode acabar prejudicando o estudante, nesse momento”, afirmou.
Análise WeekNews: As orientações dos especialistas deslocam o foco da reta final do conteúdo para o controle emocional e logístico. Como a base de estudos já foi construída ao longo do ano, a recomendação é que as horas que antecedem a prova sirvam para preservar sono, alimentação e estabilidade — fatores que, segundo as entrevistadas, influenciam diretamente a concentração e a memória no dia do exame.
Fonte: Agência Brasil.
