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Direitos trabalhistas e previdenciários, mais financiamento e políticas públicas para as mulheres trabalhadoras da cultura são discutidos no 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba, que começou nesta segunda-feira (22) e prossegue até 24 de junho, no Rio de Janeiro.
O evento é promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) com sambistas históricos, novas vozes do gênero, pesquisadores, gestores públicos, lideranças culturais e representantes de rodas de samba de todo o país, para elaborar propostas de políticas governamentais e leis para fomentar o setor.
O ministro da Cultura interino, Márcio Tavares, disse que a legislação para os trabalhadores da cultura é um grande desafio que está sendo analisado na pasta.
“Estamos trabalhando nas lacunas que ainda não foram resolvidas para proteger os direitos trabalhistas. O Estado brasileiro muitas vezes demora a reconhecer as manifestações culturais. Muitas vezes, no passado, o Estado perseguiu essas manifestações, que, apesar disso, se tornaram em elemento de unidade nacional”, afirmou Tavares.
Segundo o ministro interino, o Brasil tem 5 milhões de pessoas que trabalham na área da cultura sendo que 70% desses trabalhadores são precarizados.
Ele acrescentou que as rodas de samba são importantes para a economia criativa, para a ocupação do espaço urbano, para a identidade nacional. “A gente precisa ter políticas públicas que possam abraçar toda a potência dessa manifestação”, afirmou Tavares.
A primeira-dama Janja Lula da Silva destacou a necessidade de políticas de proteção social para as mulheres trabalhadoras da cultura, como, por exemplo, com quem deixar seus filhos quando trabalham à noite. Ela defendeu as creches noturnas para essas trabalhadoras.
A cantora e compositora Teresa Cristina destacou a importância dos direitos previdenciários, como a aposentadoria, para os trabalhadores da cultura. “Queria que grandes mestres não tivessem preocupação com sua aposentadoria. Nós devemos tratar nossos ídolos muito bem”.
O presidente da Rede de Rodas de Samba, Wanderso Luna, ressaltou que o samba fez o povo negro se reinventar depois de mais de três séculos de escravização. “A roda de samba sempre foi um vetor de desenvolvimento territorial e econômico. Qualquer lugar que você chega no Brasil tem uma roda de samba. O samba é nosso soft power. O samba é a coisa mais forte que nosso povo criou para se reinventar”, disse.
Luna afirmou que no seminário os participantes devem pensar como o samba pode ser tratado como a indústria têxtil, automobilística. “Somos um segmento potente, mas precisamos de investimento do BNDES, da Caixa Econômica Federal. Como a gente consegue fazer com que o dinheiro chegue para fazermos uma política estrututante, com financiamento e orçamento, como acontece na Coreia do Sul?”, indagou.
Luna lembrou que as rodas de samba começaram há mais de um século no Rio de Janeiro na transição entre o Brasil Imperial e o início da República no contexto das pessoas excluídas que ser reúnem para falar de suas dores e amores. “A roda de samba nasce como um ato político”, completou.
Fonte: Agência Brasil EBC
Tue, 23 Jun 2026 10:41:00 -0300

