
Moradores do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, terão a oportunidade de aprender a produzir filmes utilizando apenas o celular. O projeto Curta Periferias, que começa nesta quarta-feira (22), oferecerá formação gratuita em audiovisual para jovens e adultos da comunidade, com foco em contar a rotina da periferia e combater preconceitos.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio, pela RioFilme, pela Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias), pelo Bela Maré e pelo Observatório de Favelas. Agora, o projeto ganha uma nova parceria de peso: a Firjan Sesi, que amplia a atuação com base no projeto Cine SESI, já desenvolvido em escolas e focado em cineclubismo e produção audiovisual estudantil.
O Curta Periferias tem como objetivo impulsionar o audiovisual independente, aproveitando os recursos disponíveis nos smartphones. Os participantes vão receber formação que abrange desde conceitos fundamentais do cinema até a produção completa de um curta-metragem. Entre os temas abordados estão etapas de produção, funções no processo criativo, roteiro, técnicas de filmagem com celular e edição de vídeo com ferramentas gratuitas.
O secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gabriel Medina, destacou a importância da iniciativa. “Entendemos que o cinema é uma importante ferramenta tecnológica. Por meio das Navezinhas, presentes nas favelas, conectamos o audiovisual, a inovação e a economia criativa para transformar comunidades em autênticos ecossistemas de inovação. Com isso, promovemos a autonomia local, a prosperidade e o desenvolvimento territorial. Vamos garantir que as comunidades possam visibilizar suas histórias, mostrando que favela é potência e criatividade”, afirmou.
O diretor-presidente da RioFilme, Leonardo Edde, também comentou a relevância do projeto. “O Curta Periferias mostra exatamente o caminho, por meio da RioFilme e da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação está construindo desenvolvimento territorial com formação, tecnologia, audiovisual e inclusão produtiva. Hoje, o celular, a câmera, a edição, a inteligência de dados, as redes e a narrativa fazem parte de um mesmo ecossistema. A verdadeira inclusão acontece quando os territórios não são apenas consumidores dessas ferramentas, mas passam a dominar a tecnologia para contar suas histórias, gerar renda, empreender e disputar espaço no mercado”, explicou.
Para Vinicius Mano, gerente de Educação Básica da Firjan SESI, a parceria reforça o compromisso com a valorização das narrativas periféricas. “Acreditamos que o audiovisual seja uma poderosa ferramenta de educação, expressão e transformação social. Ao integrar o Curta Periferias, a Firjan SESI soma a experiência do Cine SESI na formação de jovens produtores de conteúdo, incentivando o olhar crítico, a criatividade e o protagonismo juvenil, além de fortalecer a indústria criativa dentro do território. Esta parceria reafirma nosso compromisso com a valorização das narrativas periféricas e com a ampliação de oportunidades para que mais jovens possam contar suas próprias histórias”, destacou.
Podem participar moradores do Complexo da Maré com idade entre 15 e 35 anos. As inscrições estarão abertas de 22 a 28 de julho e devem ser feitas por meio de formulário online, cujo link será divulgado no edital disponível em endereço eletrônico específico. Quem preferir pode comparecer à sede da Navezinha Carioca da Maré, localizada na Rua Sargento Silva Nunes, 608, sala 43, no Shopping Win, para imprimir o formulário e preenchê-lo no local.
O projeto Curta Periferias representa mais uma ação voltada à inclusão produtiva e ao desenvolvimento territorial, utilizando a tecnologia como ferramenta de transformação social. A expectativa é que os participantes possam não apenas aprender técnicas audiovisuais, mas também gerar renda e empreender a partir da produção de conteúdo.
Fonte: Agência Brasil.
