
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cumpriu agenda oficial no Sudeste Asiático entre 7 e 10 de setembro, com passagens por Singapura e Tailândia. Entre os objetivos da visita estão a reabertura do mercado tailandês para a carne brasileira, fechado em 2024, e o avanço das negociações para que o Brasil obtenha o status de Parceiro de Diálogo Pleno da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
O Brasil ocupa desde 2022 a posição de parceiro de diálogo setorial no bloco. Atualmente, apenas 12 países ou organismos têm o status pleno junto à Asean, e nenhum deles é da América Latina: Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Turquia e Nações Unidas.
Segundo o Itamaraty, o comércio entre o Brasil e os países da Asean cresceu dez vezes entre 2003 e 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, com taxa média de expansão anual de 12%. O bloco asiático é o quinto principal parceiro comercial do Brasil, atrás de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.
Em discurso, Vieira afirmou que nenhum dos doze parceiros de diálogo da associação vem da América Latina, do Caribe ou da África, e que o Brasil está disposto a preencher essa lacuna, respeitando a decisão dos onze membros da Asean. O chanceler também declarou que o país se recusa a escolher parceiros em detrimento de outros e que a América do Sul tem a ganhar com a cooperação com atores extrarregionais.
Em Singapura, a agenda incluiu reuniões com autoridades locais e com a ministra do Meio Ambiente, Grace Fu, para tratar de temas ambientais. O Itamaraty informou que os ministros revisaram pontos da agenda geopolítica global e da Ásia. Em agosto deste ano, entrou em vigor a parceria de livre comércio entre o Mercosul e Singapura. Apesar do território pequeno, o país tem Produto Interno Bruto de US$ 603 bilhões, próximo ao da Argentina (US$ 683 bilhões), conforme dados do Banco Mundial para 2025.
Na Tailândia, Vieira permaneceu entre 8 e 10 de setembro e se reuniu com empresários e ministros em Bangkok, incluindo o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Sihasak Phuangketkeow. As conversas abrangeram comércio e investimentos, ciência, tecnologia e inovação, segurança alimentar e cooperação contra o crime organizado internacional, com menção a tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas.
O Itamaraty destacou que o governo tailandês tem apoiado o Brasil e mantido diálogo na área consular, decisivo em situações de resgate de trabalhadores. Nos últimos meses, foram registrados casos de brasileiros atraídos por promessas de emprego no Sudeste Asiático e submetidos a condições análogas à escravidão.
Em artigo publicado no jornal Bangkok Post, Vieira escreveu que relações mais próximas entre a América Latina e o Sudeste Asiático podem ampliar a autonomia das regiões, apoiar o direito ao desenvolvimento e dar ao Sul Global uma voz mais forte em um mundo marcado por tensões geopolíticas e pressões protecionistas. O chanceler ressaltou que o Brasil é o principal parceiro da Tailândia na América Latina e no Caribe.
Com população superior a 71 milhões de habitantes e área próxima à do estado da Bahia, a Tailândia registrou fluxo comercial de US$ 5,7 bilhões com o Brasil em 2025.
Análise WeekNews: A ofensiva diplomática em Singapura e Bangkok ocorre em um momento de crescimento consistente do comércio com a Asean, que saltou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões em pouco mais de duas décadas. O pleito brasileiro ao status pleno esbarra em uma configuração em que nenhum país da América Latina, do Caribe ou da África ocupa essa posição, o que indica que a decisão depende de negociação política entre os onze membros do bloco. A entrada em vigor do acordo Mercosul-Singapura e a retomada do diálogo sobre a carne bovina com a Tailândia funcionam como movimentos concretos dessa aproximação, ainda que a reabertura do mercado tailandês e a ampliação de status na Asean dependam de decisões soberanas dos países envolvidos.
Fonte: Agência Brasil.
