Conceição Evaristo defende escrevivência como direito e critica uso de sua trajetória para justificar meritocracia

Conceição Evaristo defende escrevivência como direito e critica uso de sua trajetória para justificar meritocracia
Fonte da imagem: Agência Brasil

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O programa Viva Maria, da Rádio Nacional, dedicou sua edição desta terça-feira (28) à trajetória e ao pensamento de Conceição Evaristo, uma das principais vozes da literatura brasileira contemporânea. A atração, inserida nas celebrações do Julho das Pretas, abordou o conceito de escrevivência, termo criado pela escritora para designar uma produção literária que emerge das vivências individuais e, sobretudo, coletivas da população negra, com destaque para as mulheres.

A edição acompanhou a aula inaugural do curso ministrado por Conceição na Casa da Escrevivência, iniciativa voltada à preservação e difusão da memória e do protagonismo das mulheres negras. Durante o programa, a autora explicou que sua escrita nasce de uma “geografia afetiva” e de seu lugar social e de gênero, extraindo das experiências das classes populares o “sumo” para sua produção literária.

Além da literatura, Conceição Evaristo propôs um debate necessário sobre o imaginário da sociedade brasileira, que ainda tende a associar a mulher negra exclusivamente ao lugar da subalternidade. Para ela, sua visibilidade como intelectual e pesquisadora contribui para que o país passe a enxergar mulheres negras também como cientistas, médicas e artistas.

Contudo, a escritora fez um alerta contundente sobre o perigo de sua história ser usada para reforçar o discurso da meritocracia. Ela ressaltou que sua trajetória é uma exceção e que o sucesso individual não deve ocultar as desigualdades estruturais de acesso à educação e à cultura. “O acesso ao livro, à leitura e às universidades deveria ser um direito de cada cidadã e cidadão brasileiro”, afirmou, incentivando as novas gerações a se apropriarem desses espaços não como privilégio, mas como direito de cidadania.

O programa também lembrou o reconhecimento da obra de Conceição Evaristo para além do meio acadêmico, destacando o samba-enredo da Império Serrano, intitulado “Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu”, que homenageou a escritora no Carnaval deste ano. Atualmente, a obra da autora é estudada em universidades e integra exames nacionais, como o Enem.

Para quem deseja se aprofundar no tema, o Viva Maria convida os ouvintes a acompanharem a gravação completa da aula na página Casa da Escrevivência, disponível no YouTube. O programa reafirma a importância de dar visibilidade a vozes como a de Conceição Evaristo, que, por meio da escrevivência, transforma experiências de vida em ferramenta de resistência e reflexão sobre as desigualdades raciais e de gênero no Brasil.

Fonte: Agência Brasil.

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