Feira em Fortaleza defende voto em políticas de drogas com justiça social




Feira em Fortaleza defende voto em políticas de drogas com justiça social
Fonte da imagem: Agência Brasil


Palestrantes da 2ª edição da feira Febre de Arte, encerrada nesse domingo (20) em Fortaleza, defenderam que o eleitor escolha neste ano candidatos comprometidos com políticas sobre drogas alinhadas à justiça social. O evento foi realizado no Anfiteatro Sérgio Motta, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Durante os painéis, os participantes pediram a rejeição de representantes reacionários no Legislativo e no Executivo, nas esferas federal e estadual. Segundo a Kaya Mind, núcleo de soluções para o mercado da cannabis, havia ao menos 44 candidatos engajados de alguma forma na legalização e descriminalização da cannabis até a semana passada, distribuídos em dez partidos, a maioria disputando cargos no Legislativo.

A médica de família e comunidade Magda Almeida, docente negra da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirmou que existe uma posição ideológica de reduzir tudo à ideia de que “maconha faz mal”. Ela relatou que, no consultório, percebe quando pacientes do gênero feminino começam a tomar pregabalina, medicamento de tarja vermelha indicado para epilepsia, ansiedade e fibromialgia — quadros atenuados pela cannabis. A pregabalina pode causar efeitos colaterais como mudanças de humor, falhas de memória, pensamentos de automutilação ou suicídio, alucinação, desmaio e síndrome de abstinência em caso de interrupção repentina.

Segundo a Blis Data, que detém o maior volume de dados de usuários de cannabis medicinal da América Latina, as principais consumidoras do produto importado no Brasil são mulheres mais velhas e empregadas, que buscam alívio para distúrbios do sono e dor crônica. O 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III) confirma que a cannabis é a droga ilegal mais usada pelos brasileiros: na comparação de 2022 e 2023 com 2012, o uso dobrou entre adultos e adolescentes. Mais da metade (54%) declarou consumi-la diariamente por pelo menos duas semanas consecutivas, o equivalente a 3,3% da população, mais de 3,9 milhões de brasileiros.

Magda Almeida criticou a prática da indústria farmacêutica de estabelecer doses genéricas para todos, sem considerar respostas e tolerâncias individuais. “Existe uma máxima, que é ‘comece lento e continue lento’, que é quebrada pela indústria”, disse. Para ela, o debate também passa pelo combate aos agrotóxicos. Dados da EU Pesticide Database de 2024 mostram que seis em cada dez dos produtos mais vendidos eram proibidos nos 27 países do bloco. Em 2025, o setor faturou US$ 20,196 bilhões, segundo o Sindiveg, enquanto o governo deixou de arrecadar R$ 22,5 bilhões em impostos devidos pelo segmento na esfera federal. Uma das pautas no campo da cannabis é como a agroecologia e a agricultura familiar podem elevar a qualidade do produto por meio do cultivo livre de químicos.

Os painéis também abordaram os impactos sociais das decisões tomadas até agora. Os convidados discutiram a relação entre a seletividade das polícias e da Justiça, o encarceramento em massa da população negra e a expansão de facções ou milícias. Pesquisa do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apurou que quatro em cada dez brasileiros são forçados a conviver com essas organizações criminosas em suas portas, o equivalente a 68,7 milhões de pessoas. Nas capitais, a taxa sobe para 55,9%, e para mais de um terço (34,9%) a interferência do crime organizado no cotidiano é intensa. Entre os que moram em bairros com facções ou milícias, 51,1% sofreram violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, contra 40,1% no geral.

O advogado Italo Coelho, especialista em direito criminal e direito penal, contou que, na adolescência, não entendia por que pessoas de sua rua eram presas por serem usuárias de maconha enquanto consumidores de outros psicoativos não eram punidos. Ele ressaltou a semelhança da perseguição contra expoentes da capoeira e do samba com as barreiras impostas à cannabis no país e comentou como o conhecimento sobre substâncias benéficas para o corpo, dominado por povos tradicionais e benzedeiras, foi sequestrado pela medicina convencional.

Cofundadora da Marcha da Maconha de Fortaleza e coordenadora da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa), Tamára Silva afirmou que a atuação dos agentes de segurança pública se restringe a uma frente de repressão, cujo resultado é “mais polícia, mais presídio, mais vaga [nas prisões] para solucionar”. “A gente está vivendo isso há mais de 100 anos. Acompanha cada vez mais o narcotráfico faturando bilhões, vendo a nossa juventude sendo aliciada, a nossa cidade sendo territorializada por essas organizações criminosas, essas facções, definida a partir da lógica da violência”, declarou.

A advogada antiproibicionista Bianca Cardial, mediadora das apresentações de domingo e membro da Renfa e da Rede Reforma, observou que, enquanto o evento acontecia, pessoas eram presas por quantidades mínimas de cannabis. Relatório da Pastoral Carcerária Nacional divulgado no fim de agosto aponta que a compra de produtos básicos de higiene pessoal e alimentação, que deveriam ser distribuídos pelo Estado no sistema carcerário, gera gasto médio de cerca de 70% de um salário mínimo para as famílias que visitam os detentos uma vez por semana, somando R$ 4,33 bilhões por ano.

Pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) revela que, em 2023, R$ 7,7 bilhões foram desembolsados com a proibição das drogas na Bahia, no Distrito Federal, no Pará, no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e em São Paulo, sendo mais da metade destinada às polícias militares e às unidades prisionais.

Análise WeekNews: O conjunto de dados apresentado no evento — do crescimento do uso de cannabis entre adultos e adolescentes ao custo bilionário da proibição e à presença de organizações criminosas em territórios — sustenta

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)