Há 43 anos, Levante do Ferros Bar marcou a luta das lésbicas contra a censura e a discriminação

Há 43 anos, Levante do Ferros Bar marcou a luta das lésbicas contra a censura e a discriminação
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Dia Nacional do Orgulho Lésbico é celebrado nesta quarta-feira (19), em memória ao Levante do Ferro’s Bar, ocorrido em 19 de agosto de 1983, no centro de São Paulo. A data foi instituída com o objetivo de combater a lesbofobia – o preconceito, a rejeição ou o ódio contra mulheres lésbicas –, a violência com base em orientação sexual e identidade de gênero, e também pela luta para conquistar direitos.

Naquele dia, há 43 anos, mulheres lésbicas se recusaram a aceitar a discriminação e a violência dentro do Ferro’s Bar, um espaço que se tornou palco de uma das primeiras manifestações organizadas por lésbicas no Brasil, em plena ditadura militar. A administração do local havia proibido a venda e a circulação do boletim Chana com Chana, produzido pelo Grupo Ação Lésbica Feminista (Galf), coletivo que existiu de 1981 a 1990. A proibição foi o estopim para que as ativistas se levantassem contra a censura e a tentativa de silenciamento.

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Capa do Jornal Chana com Chana.. Foto: Chanacomchana/Divulgação
Fonte da imagem: Agência Brasil

O Levante do Ferro’s Bar tornou-se um marco da resistência lésbica brasileira por liberdade de expressão e direitos. Na ocasião, as manifestantes reivindicaram o direito civil de existir, falar, circular e se organizar, desafiando o regime autoritário da época. Entre as protagonistas da ocupação do espaço estava a ativista Rosely Roth (1959-1990), considerada uma das pioneiras do movimento lésbico brasileiro.

A publicação Chana com Chana, que motivou o levante, foi o primeiro periódico brasileiro voltado exclusivamente para o público lésbico. Criado em janeiro de 1981, em São Paulo, o boletim da imprensa alternativa trazia em suas páginas entrevistas e textos focados em política, artes e na luta por direitos civis de lésbicas, além de dar visibilidade à população LGBTQIAPN+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros/travestis, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não-binários, e o + para outras identidades de gênero). Ao todo, foram publicadas 13 edições até 1987.

No Brasil, agosto é também chamado de Mês da Visibilidade Lésbica, por reunir duas datas de celebração e marcar um período de debates sobre direitos. Além do Dia Nacional do Orgulho Lésbico, há o Dia da Visibilidade Lésbica, em 29 de agosto, criado há 30 anos por ativistas brasileiras durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), realizado em 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro.

A luta por representatividade também se expressa nos símbolos do movimento. Em janeiro de 2003, durante o III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, ativistas lésbicas do Brasil, da América Latina e do Caribe aprovaram a incorporação de símbolos lésbicos na tradicional bandeira arco-íris do movimento LGBT. O objetivo é promover a visibilidade à luta deste grupo pela garantia de direitos. A representatividade lésbica na bandeira é marcada pelo duplo espelho de Vênus, que representa a atração e a união entre mulheres; pelo lábris (machado de dois gumes/dupla lâmina), usado por amazonas e que simboliza a força e a independência das mulheres; e pelo triângulo preto, que era tatuado nas prisioneiras lésbicas pelos nazistas nos campos de concentração.

Casos de discriminação, violências e outros desrespeitos aos direitos de pessoas LGBTQIAPN+ devem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100. O serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O atendimento é imediato e é garantido o sigilo de quem liga. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel, bastando discar o número 100.

Também é possível utilizar o Disque 100 por meio do Telegram, basta digitar “Direitoshumanosbrasil” na busca do aplicativo. Qualquer cidadão pode reportar algum fato relacionado a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento. As denúncias são registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos órgãos competentes de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos. Em situações de emergência, a Polícia Militar local pode ser acionada pelo telefone 190.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Tabela da Copa do Mundo 2026
Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)