
World Soccer Talk.
Dezessete dias depois da vitória da Argentina sobre a Suíça por 3 a 1 na prorrogação, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2026, a International Football Association Board (IFAB) reconheceu que houve um erro na expulsão do atacante suíço Breel Embolo durante aquela partida. O atleta foi expulso aos 72 minutos após revisão do VAR que resultou em segundo cartão amarelo por simulação, decisão que alterou o rumo do jogo.
A sequência começou quando o árbitro português João Pinheiro havia amarelado Leandro Paredes, da Argentina, acreditando que ele tivesse cometido uma falta no atacante suíço. A jogada foi revisada sob o conceito de “identidade equivocada”, mas ao perceber o quão evidente era a simulação, o árbitro mostrou o segundo cartão amarelo para Embolo. Segundo a IFAB, órgão responsável pelas Regras do Jogo, essa conduta foi equivocada.
Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, a entidade esclareceu que um cartão amarelo, quando não é o segundo da partida, só pode ser revisado para corrigir a identidade do jogador infrator. A infração em si não pode ser revista ou alterada depois que a identidade foi corrigida. Essa distinção é o que tornou a expulsão de Embolo irregular: o procedimento foi criado para corrigir quem recebe o cartão em caso de punição a um jogador que não cometeu a falta, e não para reclassificar o tipo de infração.
A IFAB destacou que, no momento da revisão, o árbitro já havia corrigido a identidade do jogador que deveria ser punido — Paredes deixou de ser o infrator —, mas, em vez de apenas aplicar o cartão a Embolo por simulação, o árbitro também converteu a infração em segundo amarelo, o que não é permitido pelo protocolo. O erro, portanto, não foi na identificação do jogador, mas na reavaliação da natureza da falta.
Uma situação praticamente idêntica ocorreu mais cedo no torneio, durante a fase de grupos, no confronto entre Estados Unidos e Paraguai. O defensor americano Tim Ream foi inicialmente punido com cartão amarelo por uma falta em Miguel Almirón, e o VAR interveio para revisar a jogada. Assim como no caso de Paredes e Embolo, a revisão corrigiu a identidade do jogador infrator: o cartão de Ream foi anulado e Almirón recebeu amarelo por simulação. É o mesmo mecanismo que a IFAB agora aponta como aplicado de forma incorreta no caso de Embolo, ressaltando que o problema não foi isolado a uma única partida.
O comunicado da IFAB não menciona qualquer sanção ao árbitro João Pinheiro ou à equipe de arbitragem, mas o reconhecimento público do erro reacende o debate sobre os limites da atuação do VAR e a necessidade de treinamento mais rigoroso dos árbitros. A entidade reiterou que o protocolo do VAR para correção de identidade deve ser seguido à risca, e que a reavaliação do tipo de infração só é permitida em casos de cartão vermelho direto ou erro claro na classificação da falta.
A expulsão de Embolo foi amplamente criticada na época por comentaristas e torcedores, que apontaram inconsistência na aplicação das regras. A Suíça, que jogava com um a menos desde os 72 minutos, acabou eliminada nas quartas de final, e muitos analistas consideram que a decisão influenciou diretamente o resultado. A Argentina, por sua vez, seguiu para as semifinais e posteriormente conquistou o título mundial.
A IFAB não informou se haverá revisão dos protocolos ou se o caso servirá como exemplo em futuras instruções aos árbitros. O episódio, no entanto, já é citado como um dos mais emblemáticos de erro de interpretação do VAR em Copas do Mundo, ao lado de situações semelhantes em edições anteriores.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/news/ifab-confirms-there-was-a-mistake-in-breel-embolos-sending-off-vs-argentina-at-the-2026-world-cup/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-07-28 13:15:00
