
O democrata James Talarico, de 37 anos, derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro nome do partido a conquistar uma vaga pelo Texas no Senado dos Estados Unidos desde 1988. Paxton tinha o apoio do presidente Donald Trump, que lhe deu respaldo ainda na primária republicana, quando ele se sobressaiu sobre o senador John Cornyn. O mandato de seis anos de Talarico começa em janeiro de 2027.
A vitória ocorreu nas eleições de meio de mandato, as midterms, nas quais os americanos elegem os integrantes da Câmara dos Representantes, renovam um terço do Senado — 35 das 100 cadeiras — e escolhem governadores em alguns estados. O pleito resultou em derrota para Trump, com os Democratas conquistando maioria nas duas Casas do Congresso. No Texas, Gina Hinojosa derrotou o governador Greg Abbott, que estava no terceiro mandato, e se tornou a primeira governadora hispânica do estado.
O jornal The New York Times definiu o resultado no estado com a frase “O Texas talvez nunca mais seja o mesmo”. Ao periódico, o político democrata texano Garry Mauro classificou o cenário como “um tsunami”. Outros representantes do partido afirmaram que a eleição redesenha o mapa político, encerrando o papel do Texas como laboratório de leis conservadoras para todo o país.
Nascido no Texas, estado do Sul dos Estados Unidos que faz fronteira com o México, Talarico é deputado estadual desde 2018. Antes da carreira política, foi professor de literatura e língua inglesa em uma escola pública de San Antonio, bairro com forte presença de mexicanos e uma das localidades mais pobres do estado. Ele é seminarista presbiteriano e afirma que a fé o leva a rejeitar o nacionalismo cristão e a se comprometer com o projeto democrático, para que todas as pessoas e famílias, independentemente de religião, raça, gênero ou orientação sexual, possam ser livres e alcançar seu pleno potencial.
Entre as propostas para o Senado, defende retirar o governo das decisões pessoais e privadas. Cita como exemplos proteger o acesso a métodos contraceptivos e à fertilização in vitro, defender a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a população LGBTQIA+ contra excessos do governo, além de legalizar a maconha regulamentada para adultos, para que as pessoas deixem de ser presas por uma substância já legal em metade do país.
Talarico diz ser da oitava geração de uma família texana e afirma que os texanos entendem a imigração melhor do que a maioria dos americanos, tanto seus desafios quanto seus benefícios. Em seu plano de propostas, sustenta que a fronteira deve ter “um tapete de boas-vindas na entrada e uma fechadura na porta”. Sobre o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), publicou que a agência deveria combater os cartéis, não as comunidades; deportar membros de gangues, não pequenos empresários; e caçar traficantes de pessoas, não mães e bebês.
Diagnosticado com diabetes tipo 1, o senador eleito tem entre suas bandeiras a redução dos custos de medicamentos prescritos. No Texas, defendeu um projeto que limitava o copagamento da insulina a US$ 25 por mês, permitia ao estado importar remédios mais baratos do Canadá, reprimia grandes farmacêuticas por preços abusivos e criava um programa de economia em medicamentos para texanos sem seguro saúde.
Na campanha, promete lutar contra “megadoadores bilionários”, que, na sua avaliação, distorceram o sistema em prejuízo das famílias trabalhadoras do Texas. Afirma ser o único integrante da Assembleia Legislativa do Texas que nunca recebeu dinheiro de comitês de ação política empresariais. Para ele, a maior divisão no país não é entre esquerda e direita, mas entre os que estão no topo e os que estão na base. “As pessoas que estão no topo se esforçam tanto para nos manter com raiva e divididos porque nossa união representa uma ameaça à riqueza e ao poder delas”, declarou.
Análise WeekNews: A vitória de Talarico em um estado historicamente republicano, somada à eleição de Gina Hinojosa para o governo e à maioria democrata nas duas Casas do Congresso, indica uma mudança no cenário político texano no ciclo eleitoral de 2026. O resultado sugere que a influência do apoio de Trump, que não se converteu em vitória para Paxton, foi insuficiente para conter o avanço democrata no estado.
Fonte: Agência Brasil.
