Unicef aponta que Brasil está entre países do G20 com menor idade de responsabilização penal

Unicef aponta que Brasil está entre países do G20 com menor idade de responsabilização penal
Fonte da imagem: Agência Brasil


Nenhum dos 19 países que compõem o G20 estabelece maioridade penal abaixo dos 18 anos, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (4) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A mesma conclusão vale para os países da América Latina analisados pela organização. A maioridade penal é a idade a partir da qual uma pessoa passa a ser julgada como adulto e pode cumprir pena no sistema prisional comum.

O G20 reúne as 19 maiores economias do mundo em produto interno bruto (PIB), além da União Europeia e da União Africana. De acordo com o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, o grupo concentra os países mais ricos e 60% da população mundial, e esses países “concordam que é possível responsabilizar um adolescente sem tratá-lo como adulto”.

O levantamento também mapeou as idades mínimas de responsabilização criminal, quando o adolescente já pode responder na Justiça, mas em um sistema específico para sua faixa etária. No G20, Arábia Saudita e Índia aparecem com 7 anos; Reino Unido, Estados Unidos e Austrália, entre 10 e 12 anos; Brasil, África do Sul, Canadá, Indonésia, México e Turquia, com 12 anos; França, com 13 anos; Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Itália, Japão e Rússia, com 14 anos; e China, com 16 anos.

Na América Latina, a idade mínima é de 12 anos no Brasil, Costa Rica, El Salvador, Equador, Honduras, México e Panamá; de 13 anos em Guatemala, Haiti, República Dominicana e Uruguai; de 14 anos em Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela; e de 16 anos em Cuba.

Apesar de nenhum país do G20 prever o julgamento de menores de 18 anos como adultos de forma geral, algumas nações do grupo estabelecem exceções: Estados Unidos, Arábia Saudita, Índia, Canadá, Reino Unido, Japão e Coreia do Sul. Entre os 20 países latino-americanos analisados, apenas Cuba tem exceções para a maioridade penal aos 18 anos. O Unicef não detalha essas exceções, mas, nos Estados Unidos, por exemplo, agravantes como uso de violência, de arma ou antecedentes criminais podem levar a vara da infância a remeter o caso a juizados criminais.

Gonzalez-Aleman afirma que o Unicef defende a responsabilização de adolescentes que cometem atos infracionais, mas sem tratá-los como adultos. “Já estamos responsabilizando as crianças a partir dos 12 anos quando elas cometem infração. A questão é que não é preciso levá-las para uma prisão. Vamos levá-las para o sistema socioeducativo, vamos tentar recuperar essa criança, porque também temos evidência que a reincidência é muito menor no sistema socioeducativo que nas prisões para adultos”, declara.

O representante da organização alerta que misturar adolescentes e adultos no mesmo sistema prisional pode produzir o efeito contrário ao esperado. Em vez de afastá-los do crime, a medida pode aproximá-los de redes criminosas mais estruturadas, ao mesmo tempo em que rompe vínculos com a escola, a família e a comunidade.

O tema voltou ao Congresso nesta semana durante a votação da PEC da Segurança Pública. O texto foi aprovado no Senado Federal sem as emendas que buscavam equiparar adolescentes aos adultos. A proposta é uma das prioridades do atual governo para a área, mas senadores discutiram a inclusão de emendas de plenário que tratavam da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, ou até para 14 anos. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), não acolheu as emendas no relatório final, mas recomendou que elas constituíssem propostas autônomas, com tramitação conjunta e votação posterior em separado.

Análise WeekNews: O levantamento do Unicef oferece um contraponto factual ao debate sobre redução da maioridade penal em curso no Congresso. Ao mostrar que nenhum país do G20 adota idade inferior a 18 anos como regra geral, a organização reforça a posição de que a responsabilização de adolescentes pode ocorrer dentro de um sistema específico, sem equiparação ao regime adulto. O dado sobre reincidência menor no sistema socioeducativo, citado pelo representante do Unicef, é o argumento central dessa abordagem.

Fonte: Agência Brasil.

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