
Um motorista de ônibus foi retirado à força do veículo e detido por dois policiais militares após um desentendimento no trânsito na capital paulista. O caso ocorreu na Avenida Casa Verde, na altura do número 700, segundo o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas). O motorista afirma que o conflito começou quando ele buzinou para pedir passagem à viatura da PM, que trafegava lentamente na faixa exclusiva de ônibus.
Um vídeo gravado por um passageiro mostra os policiais dentro do ônibus pedindo que o condutor descesse. O motorista nega ter feito algo errado e, mesmo assim, os agentes o retiraram à força do veículo e o levaram a uma delegacia. O sindicato identificou o trabalhador como Edvagner, motorista da Viação Santa Brígida, e mencionou também o cobrador Vilanova, que estaria presente no momento da abordagem.
Em comunicado publicado nas redes sociais, a diretoria do Sindmotoristas manifestou indignação com a conduta dos agentes. “A diretoria do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) está estarrecida e indignada com a truculência de agentes da polícia militar contra o motorista Edvagner e o cobrador Vilanova da Viação Santa Brígida”, diz o texto.
Para a entidade, o episódio evidencia truculência e falta de preparo dos policiais. “O fato em questão mostra a total falta de empatia e uso violento da função que cabe ao policial, que deveria agir com melhor atenção, respeito e prudência. E jamais prender um trabalhador, pai de família, por motivo banal, uma divergência”, acrescenta o sindicato.
O Sindmotoristas informou que vai ingressar com denúncia na Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra os policiais envolvidos. A entidade também criticou a diferença de tratamento em relação a situações de violência contra os trabalhadores do setor. “Quando nossos operadores são agredidos por meliantes, pedimos providências para conter atos criminosos. E somos relegados ao silêncio. Agora, tristemente, estamos diante de um fato que nos assola, mas exigimos rigor em defesa à categoria que cumpre sua função”, afirma o comunicado.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foi procurada para comentar o caso, mas ainda não se manifestou. A reportagem também não localizou posicionamento oficial da Polícia Militar até o fechamento desta matéria.
O caso ocorre em meio a um contexto de debates sobre a atuação policial na capital paulista. Dados recentes divulgados pela própria imprensa indicam que policiais em serviço mataram 142 pessoas em três meses no estado de São Paulo, o que reforça a preocupação de entidades com o uso da força em abordagens cotidianas.
A Viação Santa Brígida, empresa responsável pelo ônibus, não se pronunciou até o momento. O motorista Edvagner e o cobrador Vilanova também não deram declarações públicas além do relato inicial sobre a buzinada.
O Sindmotoristas promete acompanhar o caso e cobrar apuração rigorosa dos fatos. A entidade defende que a categoria, que atua diariamente no transporte público da cidade, não pode ser alvo de ações violentas por parte de agentes do Estado em situações consideradas banais.
A reportagem tenta obter mais detalhes sobre o registro da ocorrência na delegacia e sobre o desfecho da detenção do motorista. Até o momento, não há informações sobre abertura de inquérito ou sobre eventuais medidas judiciais contra os policiais.
O episódio reacende a discussão sobre os limites da atuação policial em abordagens de trânsito e sobre a necessidade de preparo dos agentes para lidar com conflitos de baixa gravidade sem recorrer à força física.
Fonte: Agência Brasil.
