
Organizações não governamentais lançaram um portal com o objetivo de centralizar informações confiáveis e atualizadas sobre o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, ocorrido em 2022 na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. O projeto, batizado de Defensores do Javari, é uma iniciativa do Instituto Dom Phillips, da Artigo 19, da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e do Observatório dos Povos Indígenas Isolados (Opi).
O site reúne dados que permitem acompanhar os desdobramentos do caso e consultar as ações resultantes das reuniões do Grupo de Trabalho Vale do Javari, criado no âmbito do Comitê Interministerial de Desintrusão. A plataforma foi desenvolvida para servir como fonte de referência para jornalistas, pesquisadores, autoridades e o público em geral interessado no andamento das investigações e nas medidas de proteção aos povos indígenas da região.
Dom Phillips e Bruno Pereira eram figuras centrais nas denúncias de crimes socioambientais que ocorriam na Terra Indígena Vale do Javari, que abriga o maior contingente dos chamados povos livres, que vivem em isolamento voluntário. A proteção desses grupos é considerada essencial, já que muitos são formados por pouquíssimas pessoas e suas culturas e comunidades correm risco de extinção.
Bruno Pereira era pessoa de confiança dos indígenas da região e atuava em conjunto com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Ele estruturou a Equipe de Vigilância da Univaja (EVU), responsável por identificar pontos de vulnerabilidade e capacitar indígenas para fazer a segurança das comunidades. Sua atuação era fundamental para a proteção do território contra invasões de garimpeiros, madeireiros e pescadores ilegais.
Dom Phillips estava em viagem pelo território com o propósito de escrever um livro sobre a situação dos povos indígenas e a degradação ambiental na Amazônia. Com sua morte, a obra foi finalizada por seus amigos e posteriormente publicada. O jornalista britânico já havia reportado sobre a região para veículos internacionais e tinha amplo conhecimento das tensões locais.
Pela gravidade do caso, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foi acionada para provocar respostas ágeis das autoridades brasileiras na área. A pressão internacional e de organizações de direitos humanos tem sido constante para garantir que as investigações avancem e que os responsáveis sejam punidos.
O portal Defensores do Javari surge como uma ferramenta de transparência e memória, permitindo que o público tenha acesso a documentos, relatórios e cronologias dos fatos. A iniciativa busca também fortalecer a luta pela justiça e pela proteção dos defensores de direitos humanos na Amazônia.
A região do Vale do Javari continua sendo palco de conflitos e ameaças contra indígenas e ativistas. A criação do observatório é vista como um passo importante para manter o caso vivo na opinião pública e pressionar as autoridades a cumprirem seu papel na proteção dos povos isolados e na punição dos crimes ambientais.
Fonte: Agência Brasil.
