
Uma operação da Polícia Militar do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) resultou na prisão de 13 pessoas e na morte de quatro suspeitos em confrontos com agentes, nesta quinta-feira (13). A ação ocorreu em 27 comunidades controladas pela facção e também em municípios da região metropolitana, incluindo áreas da Baixada Fluminense. Durante as diligências, foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas e seis granadas.
Entre os detidos está André Silveira das Dores, conhecido como Coquinho, apontado como suspeito de envolvimento na morte do policial militar Marco Antônio Matheus Maia, ocorrida em dezembro de 2024, na comunidade do Quitungo, na zona norte da capital. Segundo a PM, Coquinho portava um fuzil automático AR-10 no momento da prisão.
A corporação informou que o objetivo da operação é combater roubos de veículos e de carga, conter a expansão do CV, cumprir mandados de prisão, apreender armas e drogas, recuperar veículos roubados e retirar barricadas criadas por traficantes para dificultar o acesso às comunidades. As equipes removeram cerca de 10 toneladas de concreto utilizadas em barricadas nas comunidades do Quitungo e Guaporé, também na zona norte.
As diligências foram realizadas na cidade do Rio de Janeiro e em municípios da região metropolitana, como São Gonçalo, Niterói, Magé, Itaboraí, Duque de Caxias, São João de Meriti e Queimados. Os cinco últimos integram a chamada Baixada Fluminense.
A ação coordenada ocorre um dia depois de a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, ter sido baleada dentro de um ônibus, em Vicente de Carvalho, na zona norte. O disparo aconteceu durante um confronto entre policiais militares e criminosos. De acordo com levantamento do Instituto Fogo Cruzado, organização não governamental que monitora a violência armada, Aline foi a milésima pessoa baleada no Grande Rio em 2026.
O estudo do instituto aponta que, até 12 de agosto, 537 pessoas foram mortas e 463 ficaram feridas por disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio. Os números reforçam a escalada da violência na área, que tem sido alvo de sucessivas operações das forças de segurança.
A operação desta quinta-feira integra uma série de ações recentes da PM para desarticular o Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do estado. A corporação não divulgou o balanço total de mandados cumpridos nem detalhes sobre os confrontos que resultaram nas quatro mortes.
Até o momento, a Polícia Militar não informou se os presos serão encaminhados para unidades prisionais da região ou se permanecerão à disposição da Justiça. Também não há detalhes sobre a participação de outras forças de segurança na operação.
O caso da fonoaudióloga baleada no ônibus gerou comoção e reacendeu o debate sobre a segurança pública no Rio. A PM ainda não se manifestou oficialmente sobre as circunstâncias do disparo que atingiu Aline, que segue internada em estado grave.
As investigações sobre a morte do policial Marco Antônio Matheus Maia e sobre os confrontos desta quinta-feira continuarão sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá ouvir testemunhas e analisar as circunstâncias dos fatos.
Fonte: Agência Brasil.
