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Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) investiga o potencial de resíduos agrícolas na produção de hidrogênio verde. A pesquisa, conduzida pelo estudante de Engenharia de Energias Elias Neto, mapeou resíduos das cadeias produtivas de cana-de-açúcar, dendê e mandioca no estado da Bahia. O objetivo é demonstrar como materiais que seriam descartados podem ganhar nova utilidade, contribuindo para a transição energética e a redução de emissões de carbono.
O trabalho avalia diferentes rotas tecnológicas para transformar biomassa em hidrogênio, buscando identificar quais resíduos apresentam maior potencial e quais processos oferecem melhores resultados em eficiência energética e redução das emissões de carbono. A pesquisa também considera a continuidade da oferta de biomassa ao longo dos meses, as regiões produtoras e as fontes renováveis disponíveis em cada uma delas para a produção do hidrogênio.
Em declaração à reportagem, Elias Neto explicou a metodologia utilizada: “A gente fez essa quantificação de acordo com o potencial de produção anual, para que a gente tivesse um mecanismo onde não teria impacto desde a produção agrícola, caso ela se interrompesse. Já que a gente está falando de resíduo, seria daquele resíduo final após utilizado. Então, a gente considera essa variável de continuidade ao longo dos meses, a gente considera as regiões e considera também as energias renováveis de cada uma dessas regiões para a produção”.
O trabalho é orientado pela professora Consuelo Cristina Silva, doutora em Engenharia Química. Segundo a docente, o levantamento já permite projetar a participação da Bahia no mapa da transição energética nacional, com contribuição que vai além das fontes eólica e solar, incluindo a chamada energia química. “Com esse levantamento, a gente já consegue desenhar a inserção da Bahia no mapa da transição energética do país, com uma contribuição muito grande, além da energia eólica e da energia solar, também com a energia química. Que além da questão do hidrogênio, a gente já conseguiu por esse mapeamento que Elias fez, determinar quais regiões tem potencial para a produção de bioetanol. Então, para a instalação de uma usina de bioetanol, por exemplo”, afirmou.
A pesquisa ainda está em andamento e terá novos desdobramentos. A expectativa é que os resultados contribuam para o desenvolvimento de projetos que transformem resíduos agrícolas em fonte de energia, ampliando as alternativas sustentáveis no estado. O estudo foi divulgado pela Rádio Educadora FM, em reportagem do jornalista Rafael Lopes, e integra a programação da Radioagência Nacional, vinculada à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de busca por fontes renováveis e aproveitamento de biomassa. O hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis, é considerado um dos vetores energéticos do futuro, com potencial para descarbonizar setores como transporte e indústria. A utilização de resíduos agrícolas como matéria-prima pode reduzir custos e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que agrega valor a subprodutos das cadeias produtivas.
Na Bahia, a produção de cana-de-açúcar, dendê e mandioca gera grandes volumes de resíduos, que muitas vezes são descartados ou subutilizados. O mapeamento realizado por Elias Neto busca quantificar esse potencial e identificar as melhores rotas tecnológicas para conversão em hidrogênio, considerando as particularidades de cada região e a disponibilidade de energia renovável.
A professora Consuelo Cristina Silva destacou que o estudo também aponta regiões com potencial para a produção de bioetanol, o que pode orientar futuros investimentos no setor sucroenergético e em biorrefinarias. A instalação de usinas de bioetanol, por exemplo, poderia aproveitar a infraestrutura e a logística já existentes nas áreas mapeadas.
A pesquisa reforça o papel da universidade pública na geração de conhecimento aplicado às demandas regionais e nacionais. A UFRB, por meio do curso de Engenharia de Energias, forma profissionais capacitados para atuar em áreas estratégicas da matriz energética brasileira.
Os interessados em conhecer os detalhes da pesquisa podem acessar o site revistageo.com.br, onde o estudo está disponível. A expectativa é que os resultados sejam divulgados em publicações científicas e eventos da área, ampliando o alcance das contribuições.
O trabalho integra os esforços do país para cumprir metas de redução de emissões e ampliar a participação de fontes limpas na matriz energética. O hidrogênio verde é apontado como uma das apostas para a descarbonização, e o aproveitamento de resíduos agrícolas pode ser um caminho viável para sua produção em escala regional.
A pesquisa, portanto, não apenas investiga uma alternativa energética, mas também propõe um modelo de aproveitamento de recursos que alia sustentabilidade ambiental, desenvolvimento econômico e inovação tecnológica. Com a continuidade dos estudos, a Bahia pode se consolidar como um polo de produção de hidrogênio verde a partir de biomassa, contribuindo para a transição energética do país.
A reportagem da Rádio Educadora FM, veiculada em 6 de agosto de 2026, trouxe os principais resultados do mapeamento e as declarações dos pesquisadores. A edição foi de Rilton Pimentel. A matéria integra a cobertura da Radioagência Nacional sobre temas de meio ambiente e sustentabilidade.
O estudo é um exemplo de como a pesquisa acadêmica pode dialogar com as demandas sociais e produtivas, gerando soluções inovadoras para desafios contemporâneos. A expectativa é que os resultados inspirem novas pesquisas e projetos, tanto no âmbito acadêmico quanto no setor produtivo.
A produção de hidrogênio verde a partir de resíduos agrícolas ainda enfrenta desafios técnicos e econômicos, mas o mapeamento realizado na Bahia representa um passo importante para viabilizar essa alternativa. A identificação das rotas mais eficientes e das regiões com maior potencial é fundamental para atrair investimentos e desenvolver a cadeia produtiva.
Com a conclusão da pesquisa, espera-se que os dados possam subsidiar políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à valorização da biomassa residual e à expansão da economia do hidrogênio no Brasil. A Bahia, com sua diversidade agrícola e potencial de geração de energia renovável, desponta como um ator relevante nesse cenário.
A pesquisa de Elias Neto, orientada pela professora Consuelo Cristina Silva, é um marco nos estudos sobre aproveitamento de resíduos agrícolas para fins energéticos no estado. Os resultados obtidos até o momento indicam que há potencial significativo para a produção de hidrogênio verde, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento sustentável da região.
A matéria original foi publicada pela Radioagência Nacional e está disponível no site da EBC. Para mais informações sobre o estudo, os interessados podem acessar o site revistageo.com.br.
Fonte: Agência Brasil.
