
A regulação das plataformas digitais e a fiscalização de conteúdos produzidos com inteligência artificial precisam ser ampliadas no Brasil. A avaliação é de pesquisadoras que participaram, nesta terça-feira (15), do webinário Tecnologias, IA e Eleições, promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras.
Durante o evento, a diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), Fernanda Rodrigues, alertou para o papel dos algoritmos de recomendação, que definem quais conteúdos chegam aos usuários. Para ela, é necessária uma regulação mínima que garanta às pessoas a possibilidade de recusar conteúdos padronizados e que impeça que os mecanismos de recomendação operem com vieses discriminatórios.
A cofundadora da plataforma de comunicação independente Blogueiras Negras, Larissa Santiago, afirmou que o Brasil tem um bom sistema regulatório de inteligência artificial em comparação com outros países, mas defendeu o reforço da fiscalização e, sobretudo, da educação midiática. Segundo ela, boa parte da população não consegue distinguir uma pessoa real de uma criada por IA, o que torna a formação do público uma prioridade.
As pesquisadoras também criticaram o fato de o desenvolvimento da inteligência artificial não ser pautado pelas demandas da sociedade, com o debate sobre o tema monopolizado pelas grandes empresas de tecnologia.
Ao tratar do uso da IA no processo eleitoral, Larissa Santiago citou o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, em 2016, ocorrido antes da popularização das ferramentas atuais de inteligência artificial generativa. Ela lembrou que o processo foi marcado pela circulação de imagens e notícias distorcidas e afirmou que a tecnologia potencializa a violência política de gênero e raça por meio da desinformação e de deepfakes. “A gente viu isso com a presidenta Dilma. As imagens distorcidas, as notícias distorcidas, até chegar ao golpe”, disse.
Análise WeekNews: as falas das pesquisadoras apontam para uma agenda que combina regulação, fiscalização e educação midiática, sem concentrar a solução em um único instrumento. A referência ao impeachment de 2016, anterior às ferramentas generativas atuais, sugere que a preocupação com a distorção de conteúdos não é nova, mas ganha outra escala com a inteligência artificial. O debate, no entanto, permanece no campo das propostas: o material não indica medidas concretas em tramitação ou adotadas a partir do webinário.
Fonte: Agência Brasil.
