
A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou um ambicioso plano de revitalização para a Praça Onze, uma das regiões históricas mais emblemáticas da cidade. Batizado de Praça Onze Maravilha, o projeto prevê investimentos de R$ 1,7 bilhão ao longo dos próximos 20 anos, com o objetivo de transformar a área por meio da construção de 37 mil unidades residenciais, da demolição do Elevado 31 de Março e da criação de novos equipamentos culturais. A iniciativa dá continuidade à requalificação urbana iniciada com o Porto Maravilha e o programa Reviver Centro.
O plano prevê a retirada do Elevado 31 de Março, estrutura que será demolida nos moldes do que ocorreu com o Viaduto da Perimetral, na zona portuária. No lugar do elevado, será aberta a Avenida da Democracia, que deve reorganizar o sistema viário local e liberar espaço para novos empreendimentos privados. A demolição é uma das principais intervenções físicas do projeto, que também aposta nos chamados retrofits – reformas e mudanças de uso de imóveis ociosos na região.
A principal referência arquitetônica da revitalização será a Biblioteca dos Saberes, projetada pelo arquiteto burquinês Francis Kéré, cidadão alemão e vencedor do Prêmio Pritzker. A biblioteca será construída no terreno onde hoje funciona o Terreirão do Samba, espaço tradicionalmente ligado aos desfiles de carnaval. A obra foi destacada pelo prefeito Eduardo Cavaliere como um dos pilares do projeto. “A operação prevê a construção da Biblioteca dos Saberes, do arquiteto Francis Kéré, no terreno onde hoje é o Terreirão do Samba, a revitalização de todo o entorno do Sambódromo a partir da demolição do Elevado 31 de Março, que vai dar lugar à Avenida da Democracia”, explicou o prefeito.
O plano também prevê a integração de bairros vizinhos. Segundo Cavaliere, a região passará a ser um bairro integrado, composto por Santa Teresa, Catumbi, Rio Comprido, Praça Onze e Cidade Nova, que se juntam ao Centro Histórico do Rio e à região portuária. A ideia é criar uma continuidade urbana que potencialize o desenvolvimento econômico e social da área central da cidade.
Para impulsionar o mercado imobiliário, a prefeitura criou incentivos e benefícios fiscais especiais para a Praça Onze e ampliou essas vantagens para outras regiões da cidade, incluindo a zona norte. Um dos mecanismos centrais é a Operação Interligada, que permite a transferência do direito de construir. Esse instrumento já viabilizou mais de 9 mil moradias no Reviver Centro desde 2021. Agora, o município oferece incentivos exclusivos para investidores que aplicarem o potencial construtivo em unidades residenciais na zona norte, Rio Comprido, Tijuca, Ipanema, Copacabana, Botafogo, Flamengo, Glória e Catete.
O pacote de revitalização também inclui melhorias na mobilidade urbana. A prefeitura firmou convênio para viabilizar a extensão da Linha 2 do metrô, no trecho entre Estácio e Carioca, com a previsão de duas novas estações: Catumbi e Praça Cruz Vermelha. A medida deve facilitar o deslocamento de moradores e visitantes, conectando a região revitalizada a outras áreas da cidade.
Outro ponto central do projeto é a Passarela do Samba, o Sambódromo, que abriga os desfiles das escolas de samba durante o carnaval. A meta é quebrar a sazonalidade do espaço, transformando-o em um polo de turismo, economia criativa e educação patrimonial que funcione os 365 dias do ano. A ideia é que o local deixe de ser associado exclusivamente ao período carnavalesco e passe a gerar atividades culturais e econômicas de forma contínua.
O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere em 10 de julho de 2026, durante evento no Rio de Janeiro. A expectativa é que as obras comecem nos próximos meses, com a demolição do elevado e o início da construção da biblioteca. A prefeitura espera que o projeto atraia investidores e moradores, consolidando a Praça Onze como um novo polo residencial e cultural da cidade.
A iniciativa representa um dos maiores investimentos em requalificação urbana do Rio nos últimos anos, com impacto direto na região central e na zona norte. A combinação de incentivos fiscais, melhoria da mobilidade e novos equipamentos culturais busca reverter o processo de esvaziamento da área e promover o desenvolvimento sustentável a longo prazo.
Fonte: Agência Brasil.
