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A Rádio Nacional, que completa 90 anos, tem uma história entrelaçada com a cultura brasileira. Desde o início, a emissora se destacou por unir o país por meio de transmissões esportivas, radionovelas e programas de humor.
No dia seguinte à sua inauguração, em 13 de setembro de 1936, o locutor Oduvaldo Cozzi narrou o empate entre Flamengo e Fluminense na final do Torneio Aberto Carioca. A partir daí, o futebol se tornou uma das principais atrações. Foi pela voz de Jorge Curi que os ouvintes acompanharam, em 1958, o gol de Pelé na final da Copa do Mundo, que deu ao Brasil o primeiro título mundial.
As transmissões da Nacional também contribuíram para popularizar os clubes cariocas em todo o território nacional. O radialista Waldir Luiz destaca o pioneirismo da emissora: “Foi a responsável pelo crescimento das torcidas no Brasil inteiro de Flamengo, Botafogo, Vasco, Fluminense. Porque foi a primeira rádio a emitir jogo para o Brasil inteiro.”
No campo da dramaturgia, a Rádio Nacional lançou, em 1941, “Em Busca da Felicidade”, considerada a primeira radionovela brasileira. Durante a Era de Ouro do rádio, entre as décadas de 1940 e 1950, era comum as famílias se reunirem em torno do aparelho para ouvir as histórias. A historiadora Lia Calabre explica esse ritual: “A família se reúne em torno do rádio para ouvir as novelas preferidas. E aí é hora de fazer silêncio. É hora de estar junto e fazer silêncio, porque senão você perde, né? O locutor está lá falando, se você começar a falar junto, você não pode voltar. É ao vivo.”
No auge da emissora, na década de 1950, mais de 600 profissionais trabalhavam na rádio. A importância da dramaturgia era tamanha que um andar inteiro do Edifício A Noite era dedicado às produções. Trabalhar na Nacional era motivo de prestígio. O cantor Roberto Carlos, que chegou a fazer testes para integrar o elenco, afirmou: “Tudo que acontecia de importante no mundo artístico no Brasil, com certeza estava na Rádio Nacional. Era sem dúvida alguma o palco mais importante dos artistas mais importantes daquela época.”
O humor também teve espaço garantido. Em 1946, estreou o programa PRK-30, que satirizava atrações de rádio, personalidades e até transmissões esportivas. Em 1951, Max Nunes criou o “Balança Mas Não Cai”, que apresentava situações do cotidiano, incluindo o famoso quadro “Primo Rico, Primo Pobre”, com críticas à sociedade brasileira.
Assim, entre gols narrados, novelas ouvidas em família e personagens que arrancavam risadas, a Rádio Nacional construiu uma trajetória que se confunde com a própria história da cultura do país.
Fonte: Agência Brasil.
