
O programa de governo da candidata à Presidência Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), propõe dobrar o valor do salário mínimo de forma imediata, o que representaria um acréscimo de R$ 1.621 e elevaria o piso atual para R$ 3.242. O documento, intitulado “Unidade Popular pelo Socialismo”, tem 67 páginas, está organizado em 18 eixos temáticos e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Entre as medidas trabalhistas, a candidata defende o fim da escala 6×1 e a adoção da escala 4×3 para todos os trabalhadores do país, além da garantia de emprego para todas as pessoas adultas capazes de trabalhar. O texto afirma que saúde, educação, água, energia, saneamento, moradia, transporte, cultura e comunicação devem ser tratados como direitos, e não como mercadorias.
Na área econômica, o plano prevê a suspensão imediata do pagamento da dívida pública, com realização de auditoria cidadã. A legenda estima em cerca de R$ 2 trilhões o montante que poderia ser redirecionado do serviço da dívida para políticas sociais. O programa também propõe a nacionalização dos bancos e a estatização do sistema financeiro, com fusão das instituições sob controle estatal e gestão dos trabalhadores, além do fim da autonomia do Banco Central, submetendo as políticas monetária e cambial às diretrizes do governo.
A UP defende ainda a reestatização de empresas privatizadas, citando expressamente Eletrobras e Petrobras, que passariam a ter controle 100% estatal, e a retomada de companhias como a Vale, empresas que controlam ferrovias e firmas de saneamento e telecomunicações. O documento propõe monopólio público na geração de energia, mineração, produção e distribuição de combustíveis e indústria de defesa, além do fim de novas privatizações e dos leilões de petróleo.
Na tributação, o programa prevê isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, retirada de impostos sobre itens da cesta básica e produtos essenciais e criação de tributação progressiva sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças de bilionários.
A candidatura também apresenta propostas na área de direitos humanos, como criminalização da misoginia, igualdade salarial entre homens e mulheres, ampliação da rede de atendimento às mulheres, descriminalização e legalização do aborto, ampliação de ações afirmativas e titulação de territórios quilombolas e indígenas. O plano cita reforma agrária e “nacionalização da terra”, além de reforma urbana com produção pública de moradias e regularização fundiária.
Na segurança pública, a UP defende a desmilitarização das polícias e mudanças no modelo de segurança. Para o Judiciário, propõe eleição direta de juízes e tribunais superiores e o fim dos “penduricalhos” que elevam salários acima do teto constitucional. No setor de comunicações, o programa prevê a “estatização dos monopólios de TV e rádio” e apoio à imprensa comunitária e alternativa.
Samara Martins tem 38 anos, é cirurgiã-dentista e trabalhadora do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte. Foi candidata a vice-presidente pela legenda em 2022, na chapa de Leonardo Péricles, atual presidente do partido. A candidata a vice é Raquel Brício, 34 anos, guarda portuária e dirigente sindical no Pará, que já disputou eleições para deputada estadual e para a prefeitura de Belém. A UP, criada em 2016, disputa a Presidência em 2026 com uma chapa formada exclusivamente por mulheres.
Análise WeekNews: O programa da UP reúne medidas que, se aplicadas em conjunto, alterariam de forma profunda a organização da economia brasileira, do mercado de trabalho ao sistema financeiro. A proposta de dobrar o salário mínimo e de suspender o pagamento da dívida pública indica uma prioridade declarada de redistribuição de renda e ampliação do gasto social, enquanto a estatização de bancos e empresas privatizadas sinaliza uma ruptura com o modelo de concessões e privatizações adotado nas últimas décadas. Como se trata de um documento de campanha registrado no TSE, as medidas representam compromissos programáticos da candidata, e não políticas em vigor.
Fonte: Agência Brasil.
