
NME.
A dupla norte-americana Sylvan Esso voltou a disponibilizar seu catálogo no Spotify após um ano de boicote à plataforma. O retorno foi anunciado em vídeo publicado na sexta-feira (18 de setembro) pela vocalista Amelia Meath, que citou dificuldades financeiras para justificar a decisão.
Segundo Meath, manter o grupo fora do serviço se tornou insustentável para a estrutura que a banda mantém. “Tem ficado cada vez mais evidente que, se vamos continuar empregando todas as pessoas que empregamos, é insustentável para nós não estarmos naquela plataforma, então vamos colocá-la de volta lá”, afirmou.
A cantora disse que a posição dela e do parceiro de banda, Nick Sanborn, sobre a plataforma não mudou. “Eu não gosto disso, e estou muito frustrada com essa realidade”, declarou. Meath acrescentou que 82% do streaming acontece no Spotify e incentivou os fãs a usarem outros serviços, como Bandcamp, Qobuz, Subvert, ou lojas de discos locais.
O Sylvan Esso retirou seu catálogo do Spotify em setembro de 2025, dizendo que não podia mais manter seu trabalho em um serviço que “financia diretamente máquinas de guerra”. A decisão seguiu relatos de que o então CEO da empresa, Daniel Ek, liderou um investimento de 600 milhões de euros (cerca de 524 milhões de libras) na Helsing, companhia sediada em Munique que desenvolve drones e inteligência artificial para operações militares.
A banda lançou na semana passada seu quinto álbum, “Ow ∞”, pelo selo Psychic Hotline, após ter estreado na Partisan em 2014.
Outros artistas também retiraram seu material da plataforma no ano passado. King Gizzard & The Lizard Wizard justificou a saída como uma tentativa de “pressionar esses tech bros do mal a fazer melhor”. Xiu Xiu adotou medida semelhante citando o “investimento de Ek em drones de guerra com IA”, enquanto Massive Attack, Deerhoof e Wu Lyf também removeram suas músicas.
Em setembro do ano passado, Ek anunciou que deixaria o cargo de CEO em 1º de janeiro de 2026, com os copresidentes da Spotify, Alex Norström e Gustav Söderström, assumindo seu lugar.
Durante sua gestão, Ek foi criticado diversas vezes, inclusive após relatos de que a Spotify obteve lucros superiores a 1 bilhão de euros (cerca de 860 milhões de libras) às custas de demissões de funcionários, dificuldades de artistas para gerar renda com streaming e aumento dos preços das assinaturas.
Em 2024, ficou ainda mais difícil para os artistas ganharem dinheiro na plataforma, quando a Spotify desmonetizou oficialmente todas as músicas com menos de mil streams.
Análise WeekNews: O retorno do Sylvan Esso ao Spotify expõe uma contradição prática enfrentada por artistas que adotam boicotes a grandes plataformas de streaming. A declaração de Meath indica que a decisão foi motivada por necessidade financeira, e não por uma revisão da posição crítica à empresa. O caso também evidencia o peso do Spotify na distribuição musical, citado pela própria vocalista como responsável por 82% do streaming, o que limita o alcance de iniciativas de afastamento da plataforma.
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Fonte: NME.
NME.
2026-09-20 06:55:00
