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No Dia Nacional do Cerrado, comemorado nesta sexta-feira (11/09), dados do Mapbiomas mostram que as Terras Indígenas funcionam como uma das principais barreiras à conversão da vegetação nativa no bioma, o mais desmatado do país nos últimos anos. Segundo a pesquisadora da rede Mapbiomas Bárbara Costa, cerca de 95% da área de terras indígenas do Cerrado mantinha vegetação nativa em 2025.
O contraste com o restante do bioma é significativo. Mais da metade do Cerrado já foi desmatada ou alterada por ação humana até hoje. Apenas no ano passado, mais de 80% do desmatamento no Cerrado ocorreu em imóveis rurais privados, pressão exercida principalmente pela atividade agropecuária, de acordo com a pesquisadora.
Para Bárbara Costa, as terras indígenas cumprem um papel que vai além da conservação da biodiversidade. “Além da conservação da biodiversidade, elas mantêm grandes áreas contínuas de vegetação. E isso é muito importante quando a gente está falando de conectividade da paisagem, de proteção dos recursos hídricos, armazenamento de carbono, mas também a manutenção ali dos próprios serviços ecossistêmicos do Cerrado”, afirma.
A relação dos povos originários com o bioma é anterior a qualquer política de preservação. O povo Boe Bororo vive atualmente em seis territórios no Mato Grosso, mas já ocupou terras que iam do Rio Xingu até a Bolívia e o centro-sul de Goiás. Para o artesão e ativista Jean Bororo, o Cerrado não é apenas um bioma ou uma área de onde se retiram recursos.
“É um espaço sagrado e a extensão da própria vida. É o território vivo aonde a espiritualidade, a organização social clânica dos clãs Ecerae e Tugarege, a memória ancestral se realizam na prática cotidiana. O Cerrado provém a matéria-prima dos ornamentos, bocós, pigmentos, as fibras e os alimentos funcionam como um alicerce que sustenta a identidade e o pertencimento cultural”, explica.
Jean Bororo defende que a preservação não significa isolar a natureza da humanidade. “A floresta e a fauna e o Cerrado só estão de pé porque os povos originários os habitam e protegem com base no respeito e na espiritualidade. Preservação não é isolar a natureza da humanidade, mas aprender com o conhecimento ancestral a viver em harmonia com ela, reconhecendo o direito à terra como garantia para o equilíbrio climático do planeta”, afirma.
Análise WeekNews: Os números do Mapbiomas indicam que a conservação do Cerrado está diretamente associada à presença de territórios indígenas, que mantêm vegetação nativa em proporção muito superior à média do bioma. Como a maior parte do desmatamento recente ocorreu em áreas privadas, sobretudo pela agropecuária, a proteção dessas terras se apresenta, na prática, como um dos fatores mensuráveis para conter a perda de vegetação nativa e preservar recursos hídricos e estoques de carbono.
Fonte: Agência Brasil.
