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Pesquisadores da Florida Atlantic University, nos Estados Unidos, observaram que os tubarões-de-pontas-negras estão passando mais tempo em regiões mais ao norte da costa leste americana, ampliando sua área de ocorrência no verão para locais onde banhistas historicamente os encontravam com menos frequência. O fenômeno, segundo os cientistas, está ligado ao aquecimento das águas oceânicas, que estaria remodelando a migração anual da espécie e permitindo que os animais viajem mais para o norte antes de retornarem ao sul para o inverno. As informações foram divulgadas pela FOX 35 Orlando, em meio à programação da Shark Week, que dedica uma semana à exibição de conteúdos sobre tubarões.
Há mais de uma década, os pesquisadores acompanham os tubarões-de-pontas-negras ao longo da costa leste utilizando levantamentos aéreos e etiquetas de satélite. Os dados coletados mostram que os tubarões viajam para o norte a cada primavera, com muitos deles alcançando Long Island, em Nova York, até o final do verão. Com o contínuo aquecimento das águas, os cientistas esperam que os tubarões avancem ainda mais para o norte, ao mesmo tempo em que passam menos tempo no sul da Flórida durante o inverno.
O Dr. Stephen Kajiura, professor da Florida Atlantic University que estuda os tubarões-de-pontas-negras há cerca de 15 anos, explicou à FOX 35 Orlando que os animais são semelhantes aos humanos em relação à preferência por temperaturas amenas. “Eles são como nós. Eles gostam da nossa temperatura com ar-condicionado”, disse. “Nossa temperatura ambiente é de cerca de 72 graus. Essa é a temperatura perfeita para esses tubarões-de-pontas-negras.” Kajiura destacou que os pesquisadores já estão vendo evidências dessa mudança, com a ocorrência de tubarões mais ao norte, inclusive em Long Island, onde a espécie era menos vista por banhistas.
Os tubarões-de-pontas-negras nadam perto da costa, sendo uma das espécies que os banhistas têm mais probabilidade de avistar. “Esses são os que estão em estreita proximidade com surfistas e nadadores”, afirmou Kajiura. “É a espécie que tem maior probabilidade de ter encontros com pessoas.” Apesar disso, o pesquisador enfatizou que os encontros com tubarões continuam raros e que as pessoas não deveriam deixar de frequentar as praias por causa da pesquisa. “As chances de você ter um encontro negativo com um tubarão são minúsculas”, disse. “Não deixe que isso diminua sua capacidade de aproveitar as belas praias que temos aqui na Flórida.”
A pesquisa sobre migração ocorre em paralelo a um novo estudo da Florida Atlantic University, publicado no Journal of Coastal Research, que sugere que projetos de alimentação de praias, conhecidos como beach nourishment, também podem influenciar onde os tubarões-de-pontas-negras se reúnem durante sua migração anual de inverno. O estudo constatou que os tubarões permanecem consistentemente a cerca de 50 metros da linha da costa. A água turva criada por esses projetos pode dificultar a caça dos tubarões, potencialmente alterando seu comportamento e aumentando as chances de encontros acidentais com pessoas, disseram os pesquisadores.
“O que é impressionante é o quão próxima a distribuição dos tubarões-de-pontas-negras se sobrepõe a áreas impactadas por eventos de turbidez”, disse Kajiura em um comunicado à imprensa da Florida Atlantic University. Os pesquisadores afirmaram que a alimentação das praias continua sendo uma forma importante de proteger as costas da erosão, mas os resultados destacam a necessidade de entender melhor como esses projetos afetam a vida marinha.
A pesquisa sobre a migração dos tubarões ganha destaque em um momento em que avistamentos de tubarões aumentam perto das praias americanas, especialmente durante o feriado de 4 de julho, quando multidões vão para o litoral. A mudança no padrão migratório pode ter implicações para a segurança dos banhistas e para a gestão costeira, exigindo maior atenção das autoridades locais.
Apesar das mudanças nos padrões de migração, Kajiura reforçou que os encontros com tubarões são raros e que as pessoas não devem se privar de aproveitar as praias. “As chances de você ter um encontro negativo com um tubarão são tão minúsculas”, repetiu. “Não deixe que isso diminua sua capacidade de aproveitar as belas praias que temos aqui na Flórida.” O pesquisador também destacou a importância de continuar monitorando a espécie para entender melhor como as mudanças climáticas e as atividades humanas afetam o comportamento dos tubarões.
O estudo sobre a migração e o estudo sobre os projetos de alimentação de praias fazem parte de um esforço mais amplo da Florida Atlantic University para compreender a ecologia dos tubarões-de-pontas-negras e fornecer informações que possam ajudar na conservação da espécie e na segurança dos banhistas. Os pesquisadores esperam que os dados coletados ao longo dos anos possam subsidiar políticas públicas de manejo costeiro e de proteção da vida marinha.
Enquanto isso, a Shark Week continua a chamar a atenção do público para os predadores oceânicos, e as novas descobertas sobre os tubarões-de-pontas-negras reforçam a importância da pesquisa científica para entender os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos. A expansão da área de migração dos tubarões é um exemplo claro de como o aquecimento global está alterando o comportamento das espécies, com potenciais consequências para o equilíbrio dos oceanos e para as atividades humanas no litoral.
Leia mais aqui em inglês: https://www.foxnews.com/travel/shark-week-advisory-warming-seas-push-blacktips-farther-north-east-coast.
Fonte: Fox News.
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2026-07-31 12:43:00

