
World Soccer Talk.
A proposta do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de vender participações minoritárias nos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados provocou uma forte reação da Uefa, a entidade que comanda o futebol europeu. Em comunicado oficial, a confederação liderada por Aleksander Ceferin classificou a iniciativa como uma linha que jamais deveria ser cruzada pelas instituições que governam o esporte. “A alma e a governança do futebol não são ativos para serem negociados – especialmente com zero de transparência sobre quem ganha financeiramente. Ninguém é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, afirmou a entidade.
A informação foi revelada inicialmente pelo jornalista Martyn Ziegler, do The Times, e confirmada horas depois pela própria Fifa. De acordo com a reportagem, a entidade planeja criar uma nova subsidiária comercial, batizada de Fifa Forward Enterprise (FFE), que ficará responsável pela gestão de negócios e operações das principais competições masculinas e femininas. Investidores privados poderão adquirir fatias minoritárias atreladas aos direitos comerciais do Mundial, em um movimento que, segundo a Fifa, tem como objetivo ampliar o financiamento do desenvolvimento global do futebol para mais de US$ 10 bilhões.
Como parte da estratégia para convencer as 211 associações nacionais filiadas, a Fifa anunciou o Fifa Fast Forward Program (FFFP), que prevê acesso imediato a até US$ 20 milhões em capital único para projetos especiais de cada federação. A entidade garante que manterá total autoridade operacional sobre a FFE e que o dinheiro externo não influenciará “a governança do futebol, as competições, o calendário de partidas e todas as decisões regulatórias e esportivas”.
A Uefa, no entanto, não aceitou as garantias. Em sua nota, a entidade europeia afirmou que a proposta “cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol jamais deveriam cruzar” e pediu que todas as federações nacionais, ligas, clubes, jogadores, torcedores e governos levem o assunto “extremamente a sério”. A declaração foi vista como mais um capítulo da tensão entre Ceferin e Infantino, que já vinham se desentendendo em torno da organização e da política da Copa do Mundo de 2026.
De acordo com o jornalista Ben Jacobs, a Fifa pretende levantar até US$ 4,2 bilhões com a venda das participações e já teria abordado o fundo Thrive Capital, de Josh Kushner, e o banco de investimentos americano J.P. Morgan como potenciais parceiros âncora. O plano ainda precisa ser aprovado formalmente pelas 211 associações durante uma fase de consulta, mas a entidade já adiantou que os investidores terão apenas uma fatia minoritária na FFE e não exercerão nenhum papel operacional.
“O presidente da Fifa e a administração da Fifa têm o dever de controlar o desenvolvimento deste projeto. Os investidores externos terão apenas uma participação minoritária na FFE e não desempenharão nenhum papel operacional. Da mesma forma, eles estão investindo em uma subsidiária da Fifa, e não na Fifa em si. Para a Fifa, nada muda”, afirmou a entidade em comunicado.
A reação da Uefa, no entanto, sugere que o confronto está apenas começando. A entidade europeia deixou claro que não aceitará o que considera uma privatização disfarçada do esporte mais popular do planeta. “Ninguém é dono do futebol. Não é da Fifa para vender”, concluiu a nota, ecoando a insatisfação de setores que veem no movimento uma ameaça à independência e à essência do jogo.
Leia mais aqui em inglês: https://worldsoccertalk.com/world-cup/uefa-issues-scathing-response-to-infantino-and-fifas-reported-plan-to-sell-world-cup-stakes-none-of-us-are-the-owners-of-football/.
Fonte: World Soccer Talk.
World Soccer Talk.
2026-07-28 14:44:00
