
Dois dias após o vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro na quarta-feira (29), mais de 100 mil clientes ainda permaneciam sem energia elétrica na tarde desta sexta-feira (31). O número é a soma dos clientes afetados nas áreas de concessão da Light e da Enel Rio, as duas principais distribuidoras do estado.
Na área de concessão da Light, que atende a capital e municípios da Baixada Fluminense, Região Metropolitana, Vale do Paraíba e outras regiões, 80 mil clientes continuavam sem o fornecimento de energia na tarde desta sexta-feira (31). Já na área da Enel Rio, que atende a outras cidades da Região Metropolitana, Região dos Lagos, Região Serrana, Sul Fluminense, Costa Verde, Baixada Litorânea, Norte e Noroeste Fluminense, 25 mil clientes estavam sem luz às 15h.
Entre as cidades mais impactadas pela Enel Rio está Paraty, onde a norte-americana Kristin Lena Muller, proprietária da Pousada Casa Ecológica Paraty, no bairro Caborê, próximo ao Centro Histórico, enfrenta transtornos desde quarta-feira. A energia chegou a voltar em apenas uma fase na quarta-feira, ficou oscilando, mas sumiu desde quinta-feira. “Toda vez, eles mandam um aviso no telefone falando que a previsão é uma e, aí, mandam outra, mais para a frente, mais para a frente. Estão fazendo isso há dois dias, enrolando a gente com novas previsões. Agora, estão falando duas e pouca. Vamos ver o que vai acontecer”, reclamou em entrevista à Agência Brasil no início da tarde.
Os prejuízos para a pousada, que tem capacidade para receber até 20 pessoas em seis quartos de três bangalôs, se avolumam. “Já estragou tudo na geladeira. Não posso alugar assim. Fechei meu calendário. Imagina se alguém vem e não pode usar nada? A gente perde negócio, perde comida e não pode usar várias coisas na pousada para fazer manutenção. Não podemos lavar roupa. Está tudo parado”, contou. Ela também destacou o impacto negativo para a cidade: “Também pega muito mal para a cidade em geral, porque o cliente fica sabendo que pode chegar em Paraty e não ter infraestrutura básica que precisa. É bem complicado”.
Lena apontou ainda outra preocupação de quem é responsável por locais de hospedagem na cidade: “Hoje em dia, se vê anúncios de pousadas com gerador, como se fosse um luxo ter luz. Agora, tem que ter gerador ou algum sistema próprio, porque não pode contar com um serviço básico de uma cidade”, pontuou.
A jornalista e publicitária Flávia Carrijo, vizinha de Lena, também relatava a falta de energia há mais de 30 horas. “Aqui, estamos sem luz há mais de 30 horas. Já perdemos tudo da geladeira e temos problemas para trabalhar online, banho frio etc. Teve muita árvore caída. A prefeitura foi até rápida na limpeza, mas a Enel não”, afirmou à Agência Brasil, confirmando que as previsões de retorno não são cumpridas. Flávia lembrou que, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada na semana passada, já tinha ocorrido um problema de falta de energia, que não foi causado por ventos fortes. “Aconteceu de ficar sem luz, sem ventania e sem nada. A gente ficou sete horas sem luz na cidade inteira. Só algumas coisas da Flip funcionaram porque tinha gerador”.
Segundo a Enel Rio, a situação é mais grave nas cidades de Niterói e Paraty, onde estão concentrados 3,5 mil clientes sem luz. “Esses são os casos mais complexos, que exigem a reconstrução de trechos inteiros da rede elétrica, danificados pela queda de árvores de grande porte durante o evento climático, com a substituição de postes, transformadores e, por vezes, recondução de quilômetros de cabos”, explicou a concessionária. A empresa afirmou que mantém equipes em campo e estima concluir na tarde desta sexta-feira (31) o atendimento às ocorrências causadas pelo vendaval.
A Light, por sua vez, informou que montou uma força-tarefa com mais de 2 mil profissionais que trabalham ininterruptamente para a normalização da energia. O serviço se concentra em tarefas mais complexas, na engenharia para a reconstrução da rede elétrica. “Em diversos pontos, os danos exigem a substituição de postes, cabos e outros equipamentos, além da remoção de árvores e objetos que caíram sobre a fiação, como telhas e até caixas-d’água”, apontou em nota. A companhia também informou que, em consequência do forte vendaval, cerca de 220 árvores caíram na capital, muitas atingindo diretamente a rede elétrica, causando desligamentos e danos em diversas regiões.
Os trabalhos de recuperação da Light continuam nas áreas mais prejudicadas da Zona Oeste e da Baixada Fluminense. Na capital, os bairros com maior impacto são Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Já na Baixada, os municípios com trechos mais atingidos são Nova Iguaçu e Duque de Caxias.
O Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio) manteve o município em Estágio 2 nesta sexta-feira (31) por conta de ocorrências que ainda estão em andamento pela cidade. O Sistema Alerta Rio informou que a entrada de ventos úmidos do oceano permanecerá influenciando o tempo na cidade, com céu nublado a parcialmente nublado, ventos moderados e temperaturas estáveis, com mínima prevista de 15°C e máxima de 29°C.
Fonte: Agência Brasil.
