Corte de Roma remarca para 24 de novembro análise sobre extradição de Carla Zambelli

Corte de Roma remarca para 24 de novembro análise sobre extradição de Carla Zambelli
Fonte da imagem: Agência Brasil


A Corte de Apelação de Roma marcou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. A sessão estava prevista para esta terça-feira (27) e foi adiada após pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde Zambelli seria recolhida caso a entrega seja autorizada.

O advogado Eduardo Maurício, que representa a ex-deputada, afirmou em nota que o julgamento não poderia ocorrer sem o acesso a esse material, pois, segundo ele, não seria possível exercer a ampla defesa e o contraditório sobre questões que envolvem a garantia à saúde de Zambelli. O defensor sustentou ainda que extraditá-la ao Brasil equivaleria a entregá-la à morte, por considerar o sistema prisional brasileiro desumano e degradante.

Esta é a segunda vez que a Justiça italiana analisa um pedido de extradição de Zambelli. Em uma situação anterior, referente à condenação por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a primeira instância havia autorizado a entrega, mas a defesa conseguiu reverter a decisão na Corte de Cassação, última instância recursal do país. Na ocasião, os magistrados italianos mencionaram o que seria uma falta de imparcialidade do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Alexandre de Moraes.

No processo atual, a extradição também chegou a ser autorizada em primeira instância, mas a defesa obteve novo julgamento na Corte de Cassação diante da falta de informações sobre as condições carcerárias no Brasil. É esse o processo que estava marcado para esta terça e foi remarcado para o mês que vem.

Zambelli foi condenada em 2025 pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Ela foi considerada culpada por liderar uma invasão aos sistemas do CNJ em 2022, com o objetivo de inserir neles um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes. Segundo a condenação, a motivação foi desmoralizar o Poder Judiciário diante das eleições presidenciais que se aproximavam.

Ainda em 2025, ela foi condenada novamente pelo STF, desta vez a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso se refere à perseguição ao jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, dias antes do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli sacou um revólver.

Após a primeira condenação, antes que fosse expedida a ordem para cumprimento da pena, Zambelli usou o passaporte europeu para embarcar rumo aos Estados Unidos e depois para a Itália, onde pediu refúgio alegando perseguição política. Ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, por intermédio do governo brasileiro, que solicitou sua extradição imediata. Depois que o primeiro pedido foi negado em definitivo, foi solta. Atualmente, aguarda em Roma o julgamento do segundo pedido de extradição.

Fonte: Agência Brasil.

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