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Salvador recebe a partir desta sexta-feira (31) a maior retrospectiva audiovisual já dedicada ao ator e diretor Antônio Pitanga, ícone do Cinema Novo e referência do protagonismo negro nas artes brasileiras. A mostra Pitanga, que já passou pelo Rio de Janeiro, chega à capital baiana com programação gratuita e reúne 29 filmes entre longas, médias e curtas-metragens, além de sessões comentadas, debates e cursos.
Nascido no Pelourinho, Pitanga construiu uma carreira de quase 70 anos e acumula cerca de 100 filmes no currículo. A mostra acontece em dois espaços: o Cine Glauber Rocha, localizado no Centro Histórico, e o Cine Lankiana, na sede do Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, no bairro Fazenda Grande 4. A programação segue até o dia 9 de agosto.
Thiago Ortman, um dos curadores da mostra, destaca que o trabalho de Pitanga permite ao público não apenas conhecer a história do artista, mas também entrar em contato com obras fundamentais para a construção do audiovisual brasileiro, especialmente do movimento do Cinema Novo. “É uma oportunidade para o público se aproximar do legado de um dos maiores atores do cinema brasileiro. Pitanga é um ícone do Cinema Novo, que tem seu nome atrelado a alguns dos principais realizadores desse movimento”, afirma Ortman.
O curador ressalta que Pitanga estava presente no momento em que o Cinema Novo florescia. Ele fez o primeiro filme de Glauber Rocha, “Barravento”, e também atuou em produções iniciais de Cacá Diegues, como “Ganga Zumba” e “A Grande Cidade”. A filmografia do homenageado consolidou uma imagem atípica da figura do negro no audiovisual, segundo Ortman. “Pitanga tem uma história em que seus personagens sempre são muito contundentes, são muito insubmissos, e, de alguma forma, ele cria uma narrativa própria a partir dessas potências”, explica.
O curador também enfatiza a força corporal e interpretativa de Pitanga, classificando-a como única no Brasil e no mundo, e destaca sua importância como um dos primeiros realizadores e diretores negros do cinema brasileiro. A mostra inclui uma programação paralela com dois bate-papos: um intitulado “Pitanga e seu legado”, com a presença do homenageado, e outro sobre “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”.
No domingo, 2 de agosto, haverá uma sessão comentada do filme “Malês”, dirigido por Pitanga. Após a exibição do longa, ele falará sobre a realização da obra e sua trajetória profissional. Durante a semana seguinte, a mostra oferecerá o curso “Cinemas Negros: histórias, escritas e percursos”, ministrado por Izabel Melo.
Todos os detalhes e horários da mostra Pitanga estão disponíveis no site do Centro Cultural Banco do Brasil em Salvador. A expectativa da organização é que Brasília seja a próxima cidade a receber o evento. A mostra é uma realização do CCBB e tem produção de Luciene Cruz.
Fonte: ccbb.com.br.
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