
O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) e a Polícia Federal apuram denúncias de ataques, ameaças e atropelamentos contra indígenas guarani kaiowá no estado, intensificadas após a divulgação do resultado do segundo turno da eleição presidencial de 2026. As ocorrências foram encaminhadas a órgãos federais pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), segundo informou o MPF.
Em nota, o órgão federal afirmou ter instaurado procedimentos para verificar a veracidade das acusações e garantir a proteção dos territórios indígenas. Em ao menos um dos casos já analisados, porém, o MPF descartou a existência de crime. Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador Marco Antonio Delfino Rufino concluiu que as denúncias de supostos homicídios motivados por conflitos políticos não passavam de boatos e que imagens fora de contexto foram falsamente associadas a um ataque contra indígenas.
Já em Tacuru, o MPF estabeleceu prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a conduta de servidores municipais e recomendou a abertura de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos. O caso ganhou repercussão depois que mensagens de áudio atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular nas redes sociais. Em um dos trechos, um homem não identificado sugere colocar veneno na água que abastece uma aldeia da cidade.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou em vídeo publicado em seu perfil no Instagram que o autor da mensagem é um servidor público municipal. Ele classificou o episódio como um assunto desagradável, disse que o funcionário é um excelente servidor e afirmou que, em nenhum momento, o homem mencionou os indígenas. Segundo o prefeito, a prefeitura afastou temporariamente o servidor e instaurou processo administrativo disciplinar para apurar sua conduta. Torquetti também negou que o autor da mensagem trabalhe no setor de abastecimento ou dirija carros-pipas da prefeitura, como sugeriram publicações em redes sociais.
Um segundo áudio, também atribuído a um servidor municipal cuja identidade não foi divulgada, traz ofensas aos indígenas por terem votado no candidato petista e ameaças a um suposto interlocutor chamado de Índio. O homem afirma que o interlocutor sabe onde ele mora e o desafia a resolver a situação na pancada ou na bala.
Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram ter acionado a Polícia Federal e afirmaram acompanhar as denúncias de violência e ameaça contra os guarani kaiowá. Nesta quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber denúncias de ataques e ameaças. Um canal via WhatsApp chegou a ser criado, mas foi desativado em razão do volume de mensagens sem relação com casos de violência contra povos originários. O Ministério da Justiça também requisitou a todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal as denúncias recebidas, para centralizá-las no âmbito do governo federal, segundo o ministro.
Fonte: Agência Brasil.
