
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, repudiou nesta terça-feira (28) as declarações ofensivas contra o Brasil feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção do Partido Liberal (PL) no último sábado. Em entrevista após evento na capital paulista, Alckmin classificou a atitude do líder argentino como uma “intromissão em assuntos internos do Brasil” de forma “absolutamente grosseira”.
A convenção do PL oficializou a candidatura à Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso e condenado por tentativa de golpe de Estado, entre outros delitos. Milei, que participou do evento, dirigiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “presidiário”, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, a quem se referiu como “lixo careca”.
Alckmin afirmou que a postura de Milei representa um desserviço à própria Argentina. “É lamentável que o presidente de um país vizinho amigo, que compõe até o Mercosul, preste um desserviço ao seu país. Porque vem ao Brasil, numa [época de] eleição, [e] não deve presidente se envolver em eleição de outro país”, declarou o vice-presidente.
O vice-presidente não respondeu diretamente se a conduta de Milei poderá afetar as relações comerciais entre os dois países, mas destacou que o Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina e o país que mais compra produtos argentinos. A declaração ocorre em meio a tensões diplomáticas após as falas do presidente argentino.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia convocado no último domingo (26) o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do governo brasileiro às ofensas de Milei. A convocação do diplomata estrangeiro reforça o mal-estar gerado pelas declarações do presidente argentino.
As críticas de Alckmin ocorrem em um contexto de aproximação política entre Milei e setores da direita brasileira, especialmente ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A participação de Milei na convenção do PL foi vista como um gesto de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, o que gerou reações no governo brasileiro.
A fala de Milei também foi alvo de críticas de outras autoridades brasileiras. O ministro do STF Alexandre de Moraes, ofendido pelo presidente argentino, recebeu manifestações de solidariedade de integrantes do Judiciário. O vice-presidente do STF, ministro Edson Fachin, repudiou as declarações de Milei e reafirmou a autonomia da Corte.
Até o momento, o governo argentino não se manifestou oficialmente sobre as críticas de Alckmin ou sobre a convocação do embaixador. A expectativa é que o episódio possa gerar um desconforto diplomático entre Brasil e Argentina, países que mantêm uma relação histórica de cooperação no âmbito do Mercosul e em outras áreas.
Alckmin evitou especular sobre possíveis retaliações comerciais, mas deixou claro que o Brasil não aceitará interferências externas em seu processo eleitoral. “Não deve presidente se envolver em eleição de outro país”, reiterou o vice-presidente, reforçando a posição do governo brasileiro de repúdio à conduta de Milei.
Fonte: Agência Brasil.
