
A Polícia Civil investiga com prioridade, sob sigilo, o assassinato de duas mulheres negras e LGBTQ+ na Baixada Santista. Ieda Simplício, de 62 anos, e Fabiana Nogueira, de 47 anos, foram encontradas sem vida na tarde do último sábado (20), no bairro Samaritá, em São Vicente. O casal, que morava em Praia Grande, estava desaparecido desde o dia 9 de julho.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Praia Grande é a responsável pela apuração. Segundo a Polícia Civil, já foram requisitados exames periciais e necroscópicos para auxiliar nas investigações. Diligências continuam sendo realizadas para esclarecer os fatos e identificar a autoria do crime.
O caso ganhou contornos de crime de ódio, com possível viés misógino e lesbofóbico. Diversas entidades e representantes da comunidade LGBTQ+ se manifestaram nas redes sociais cobrando justiça. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) informou, na rede X, que acionou o Ministério Público de São Paulo.
Em sua publicação, Hilton destacou a brutalidade do crime. “Um casal de duas mulheres negras que estava prestes a se casar, ambas foram encontradas mortas em Praia Grande em condições estarrecedoras”, escreveu. “Seus corpos foram descobertos enterrados em uma área de mata nove dias após elas desaparecerem em São Vicente. Com seus corpos, foi encontrado também um crânio humano não identificado. […] E é urgente que o poder público se atente às possibilidades de feminicídio, lesbocídio e assassinatos motivados por racismo, que investigue, descubra, julgue e prenda os culpados por esse crime bárbaro”, prosseguiu a deputada.
A fundadora do Instituto Marielle Franco e ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também se manifestou no X. Ela relembrou o aumento de casos de feminicídio no Brasil e cobrou investigação séria. “O Brasil continua sendo um país onde mulheres são assassinadas todos os dias. E quando essas mulheres são lésbicas, o silêncio e a invisibilidade também fazem parte da violência. Fabiana e Ieda não podem ser apenas mais um caso. Este crime de lesbofobia precisa ser investigado com seriedade, porque combater crimes de ódio também é responsabilidade do Estado. Justiça não pode ser seletiva”, afirmou.
A Liga Brasileira de Lésbicas e Mulheres Bissexuais publicou um memorial do casal no Instagram. A fundação, que existe desde 2003, apontou a importância de tratar o caso como feminicídio e lesbofobia. “Quando crimes contra mulheres lésbicas-sapatão são tratados apenas como ‘homicídios’, perde a possibilidade de compreender as motivações da violência e construir políticas públicas para o enfrentamento. […] Quando denunciamos a morte de mulheres lésbicas-sapatão, afirmamos que este não é (mais um) caso isolado”, publicaram.
Outra questão levantada por usuários nas redes foi a falta de repercussão do caso na mídia. Diversos perfis argumentam que crimes de lesbofobia não recebem a devida atenção da imprensa, o que reforça a invisibilidade dessas violências.
A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre o andamento das investigações, que seguem sob sigilo. Até o momento, não há informações sobre suspeitos ou motivação confirmada, mas as autoridades não descartam a hipótese de crime de ódio. O caso segue em apuração pela DIG de Praia Grande.
Fonte: Agência Brasil.
