Cenipa aponta cultura de não reportar falhas e manutenção precária na queda da Voepass em Vinhedo

Cenipa aponta cultura de não reportar falhas e manutenção precária na queda da Voepass em Vinhedo
Fonte da imagem: Agência Brasil


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu, nesta quinta-feira (23), que a queda do turboélice ATR 72-212A da Voepass, em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, foi causada por uma combinação de falhas no sistema de degelo, alertas ignorados, revisões mecânicas insuficientes e, sobretudo, uma cultura organizacional que normalizava desvios e não reportava problemas. O acidente matou 62 pessoas, sendo quatro tripulantes. A aeronave PS-VPB partiu de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP).

As investigações revelaram que, nos voos anteriores da mesma aeronave, realizados entre cidades paulistas por tripulações diferentes, houve detecção de gelo e falha no sistema de degelo, mas nenhum desses problemas foi registrado no diário de bordo. “Três tripulações diferentes realizando normalização de desvio. Fizemos uma análise mais ampla e notamos que outras tripulações também faziam isso, o que demonstra uma cultura organizacional”, afirmou o investigador-encarregado do Cenipa, tenente-coronel Fróes.

A manutenção das aeronaves também foi alvo de críticas. Mecânicos entrevistados relataram que componentes com falha eram retirados de uma aeronave e instalados em outra, que era liberada para voo. “Várias fragilidades nas atividades de manutenção” foram identificadas, segundo o Cenipa, contrariando a afirmação inicial de um representante da Voepass de que a aeronave havia passado por manutenção de rotina e não apresentava problemas técnicos.

O chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Avellar, destacou o peso da cultura organizacional no acidente: “O que podemos afirmar é que essa ocorrência foi um acidente com peso elevadíssimo da parte da cultura organizacional. Foram 19 fatores contribuintes, mas a cultura organizacional foi muito presente”. Pilotos e copilotos, incluindo os da aeronave acidentada, recebiam alertas do sistema e os desligavam, percebiam falhas nos sistemas de correção, mas não as reportavam.

Durante o voo de Cascavel para Guarulhos, o sistema alertou para acúmulo de gelo várias vezes e, por oito ocasiões, indicou queda de velocidade devido ao peso do gelo na fuselagem. O sistema de degelo foi acionado, mas falhou e foi desligado pelos pilotos. O procedimento correto, segundo o Cenipa, seria reiniciar o sistema e, em caso de segunda falha, desligá-lo e voar em níveis mais baixos, onde as temperaturas são menos extremas. Esse procedimento não foi adotado, e o plano de voo não foi alterado.

Além disso, a aeronave não poderia ter voado naquele momento devido a um problema nos limpadores de para-brisa, que limitava a operação a condições sem chuva e sem previsão de precipitação uma hora antes e uma hora após o pouso. O Cenipa analisou 15 mil voos da Voepass e identificou que 1.674 tiveram alertas de degradação de performance, e um deles registrou perda de controle, episódio que não foi comunicado ao órgão.

O fator humano também contribuiu para a tragédia. Durante o voo, após pouco mais de uma hora, o copiloto lembrou ao piloto que havia esquecido de ligar o sistema de degelo, mesmo após os alertas. Minutos antes da queda, o copiloto comentou que havia “bastante gelo” na aeronave. Próximo ao destino, com múltiplos alertas de excesso de gelo e queda de velocidade, os pilotos precisaram lidar simultaneamente com a descida, os problemas com gelo e a comunicação com a torre para autorização de pouso. “O cérebro não consegue gerenciar aquelas informações em excesso. Isso pode ter comprometido a reação deles aos alertas”, disse Fróes.

A demora na liberação para pouso, o acúmulo de gelo, as falhas no sistema e a reação tardia dos pilotos levaram à perda gradual de controle. A aeronave entrou em rotação em parafuso e colidiu contra o solo. O relatório completo do Cenipa está disponível para consulta.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Tabela da Copa do Mundo 2026
Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)