
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Quilombo Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, como o primeiro quilombo urbano tombado pelo instituto no estado. A decisão foi tomada na terça-feira (22), durante a 114ª reunião do Conselho Consultivo do órgão.
Com o tombamento, o quilombo será inscrito no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. Ao justificar a medida, o Iphan destacou a relevância histórica e cultural desses territórios e afirmou que, mais do que um espaço de moradia, o quilombo é lugar de memória, convivência e transmissão de saberes, marcado pela resistência e pela afirmação da identidade afro-brasileira.
Na mesma reunião, o Conselho Consultivo aprovou outros dois reconhecimentos. O primeiro foi o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, em Guaratinguetá (SP), que será inscrito no Livro de Registro das Celebrações. Celebrado anualmente no Domingo de Páscoa, o cortejo reúne cerca de 2 mil cavaleiros pelas ruas da cidade e combina duas tradições da história da região: o tropeirismo, atividade de transporte de mercadorias que marcou a vida rural do Vale do Paraíba, e a devoção afro-católica.
O conselho também aprovou o tombamento da Capela do Cristo Operário, em São Paulo. Remanescente da antiga Fábrica Unilabor, a capela é considerada um importante marco da história social, industrial e do movimento operário paulistano entre as décadas de 1930 e 1950. O bem será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes.
Além dos novos reconhecimentos, o Conselho revalidou os registros do Fandango Caiçara e da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, celebrada em Barbalha (CE), reforçando a proteção de manifestações culturais já reconhecidas como patrimônio brasileiro.
Análise WeekNews: O tombamento do Quilombo Ferreira Diniz amplia a lista de bens protegidos pelo Iphan no Rio de Janeiro e insere oficialmente um território urbano de memória afro-brasileira no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. A decisão, tomada em conjunto com o registro de celebrações e o tombamento de bens ligados à história operária e religiosa, indica uma atuação do conselho voltada a reconhecer manifestações culturais de diferentes origens e períodos, reforçando a proteção de práticas já registradas e a incorporação de novas referências ao patrimônio cultural brasileiro.
Fonte: Agência Brasil.
