Milhares de mulheres negras ocupam Copacabana em marcha por reparação e bem-viver

Milhares de mulheres negras ocupam Copacabana em marcha por reparação e bem-viver
Fonte da imagem: Agência Brasil


Milhares de mulheres negras tomaram a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (26), na 12ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro. Com o tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e pelo bem viver”, o ato cobrou políticas públicas que enfrentem as desigualdades históricas e o racismo, promovendo justiça social e condições dignas de vida para a população negra.

A marcha ocorreu um dia após o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, celebrados no sábado (25). A data deu o tom de resistência e luta, reunindo famílias inteiras, lideranças comunitárias e ativistas.

Clátia Vieira, coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, destacou que o bem-viver é o objetivo final e que ele só será alcançado com medidas de reparação. “Primeiro, fazer escuta das mulheres negras, e segundo, colocar o racismo como pauta estrutural da sociedade. A conexão do racismo com o capitalismo que mata as mulheres negras, que desemprega, que faz com que elas vivam uma instabilidade econômica, política e social”, afirmou.

A educadora Bárbara Carine participou da marcha com toda a família e ressaltou a importância de inserir as crianças nos espaços de mobilização. “Eu acredito que a política está no processo de entender quem nós somos, os nossos direitos, e o quão longe nós ainda estamos de onde a gente deveria estar. A marcha é um momento de pensar tanto os nossos avanços históricos, de celebrar nossa caminhada, mas principalmente olhar para um futuro de bem-viver. A gente quer passar das pautas de sobrevivência”, disse.

A vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 em crime de motivação política, foi lembrada em faixas, camisetas e discursos. Sua mãe, Marinete Silva, esteve presente no ato. “A Marielle esteve na marcha em 2017 e tinha que estar hoje aqui, nas ruas com as mulheres negras. Ela foi tombada mas não nos deixa calar. A participação política das mulheres é essencial e também era um projeto dela. Então é importante que a gente venha”, declarou Marinete.

Ao longo do percurso, as falas políticas foram intercaladas por apresentações artísticas de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ylê de Ouro, que celebraram a ancestralidade, a resistência e a produção cultural negra. A música e a dança deram o tom de festa e afirmação identitária.

O casal Cinthia Garcia e Laísse Santos, que trabalha com afroturismo em Maricá, participou da marcha e destacou o sentimento de pertencimento. “Se tivesse uma palavra para resumir a nossa presença aqui hoje é pertencimento”, afirmou Laísse. Cinthia completou: “A marcha também é pelo direito da gente existir sendo quem a gente é. Usar os nossos cabelos, não ser criticada pela roupa que a gente veste, pelo turbante que a gente usa. Usa com orgulho os nossos elementos ancestrais”.

As duas também reforçaram que o racismo se manifesta no apagamento das contribuições da população negra para o desenvolvimento do país. “A cidade sempre é apresentada a partir da presença de pessoas brancas importantes, mas pouco se fala de quem realmente construiu a cidade, quem foram as mãos que construíram, de quem foi a tecnologia e a nossa luta é de resgate dessas histórias invisibilizadas”, complementou Cinthia.

A marcha deste ano reafirmou a necessidade de políticas públicas que enfrentem o racismo estrutural e promovam a reparação histórica, combinando denúncia, celebração e reivindicação por um futuro de bem-viver para as mulheres negras.

Fonte: Agência Brasil.

Publicidade

Imperdivel!!!

Tabela da Copa do Mundo 2026
Campeonato Brasileiro
Tabela do Campeonato Inglês (Premier League)
Tabela do Campeonato Espanhol (La Liga)
Tabela do Campeonato Alemão (Bundesliga)
Tabela do Campeonato Francês (Ligue 1)
Tabela do Campeonato Italiano (Serie A)