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No município do Serro, em Minas Gerais, o tempo parece ter parado no Brasil Colônia. As casas exibem mais janelas do que paredes, as ruas ainda são calçadas com pedras e os moradores se reconhecem mais pelos apelidos e pelas referências afetivas do que pelos nomes oficiais das vias. Quem vive ali explica que, para encontrar um endereço, basta perguntar pela casa de alguém conhecido, como a da chef Simone Cardozo, dona do restaurante Quintal de Vó, um charmoso bistrô local. “Se você falar, rua Rio Branco, rua Rio Branco. Não, Rio Branco não sei onde fica… Não, não, lá na casa de Simone de Riquim. Ah, tá. Na casa de Simone de Riquim. Entendeu?”, conta ela, ilustrando o hábito mineiríssimo.
O Quintal de Vó integra o projeto “Rota do Queijo”, coordenado pelo Sebrae em parceria com outras entidades, com o objetivo de fomentar o turismo de experiência na região do Serro. O restaurante foi selecionado para participar da iniciativa por causa de suas receitas à base de queijo minas artesanal, um dos produtos mais tradicionais e premiados do território. A chef Simone Cardozo explica que o espaço foi criado com a intenção de receber visitantes como se estivessem na casa da avó, oferecendo uma vivência afetiva e gastronômica. “Eu comecei o quintal exatamente com esse intuito, sabe? Meu objetivo era exatamente esse. Proporcionar. Como eu amo a comida da minha mãe, eu amo a comida nossa do Serro, então a minha vontade era proporcionar a quem chegasse até a minha casa, né? Que aqui é a minha casa. E tivesse essa sensação gostosa de comer uma coisa… Por exemplo, casa de vó”, afirma.
Entre as iguarias servidas no Quintal de Vó está o bolinho de rala, uma receita que aproveita um subproduto da produção do queijo. A chef detalha o processo: para que o queijo fique com uma superfície lisa e apresentável antes de ir ao mercado, os produtores passam uma peneira bem fininha ao redor da peça, retirando pequenas sobras. Esse resíduo, chamado de rala, é tradicionalmente vendido para fazer quitandas, e no restaurante ganha nova vida na forma de bolinhos. “O produtor, para ele poder levar o queijo para o mercado, o queijo acaba ficando com o formato da forma, fica não tão regular, então é passada uma peneira muito fininha, geralmente um ralinho muito fininho. Então, eles passam em volta do queijo para alisar a superfície do queijo e ele ficar apresentável. Então esse produto que sobra é a rala, então ele é vendido principalmente para fazer quitandas”, explica Simone.
A receita foi aprovada pela analista de negócios do Sebrae, Kele Vesperman, que enxergou na iniciativa uma oportunidade de valorizar a tradição e dar visibilidade à gastronomia local. Para ela, o projeto “Rota do Queijo” tem potencial para gerar resultados concretos para o território, já conhecido pela qualidade de seus produtos. “É a coletividade, é a gente trabalhar a gastronomia, é trabalhar a produção rural, é trabalhar o mercado, é trabalhar a nossa governança. Isso eu acho que vai trazer um resultado efetivo e que vai trazer dinheiro para um território que já é tão conhecido e um produto tão premiado, tão valorizado e muito gostoso também”, destaca Vesperman.
No cardápio do Quintal de Vó, a tradição ganhou um toque especial. O bolinho de rala foi batizado carinhosamente de “Dona Julieta e Seu Romeu”, em referência ao acompanhamento que o transforma em uma experiência única. A chef Simone explica que o prato é servido com um molho especial, a “julieta”, feito à base de goiabada dissolvida e reduzida na cachaça. “Então, aqui tem o nosso molhinho, tá? Que é a nossa julieta, que é uma goiabada. Ela é dissolvida e reduzida na cachaça”, detalha.
O projeto “Rota do Queijo” é uma das ações do Sebrae para fortalecer o turismo de experiência em cidades históricas de Minas Gerais, unindo gastronomia, cultura e produção rural. A escolha do Serro como um dos polos da rota se deve à tradição local na produção do queijo minas artesanal, reconhecido nacionalmente e premiado em diversas edições de concursos. A proposta é criar um circuito que permita ao visitante não apenas degustar os produtos, mas também conhecer os produtores, as técnicas tradicionais e o modo de vida da região.
A chef Simone Cardozo, que é natural do Serro, ressalta a importância de manter vivas as receitas de família e de compartilhar esse patrimônio com quem visita a cidade. Para ela, o Quintal de Vó é mais do que um restaurante: é uma extensão de sua casa, onde cada prato conta uma história e cada cliente é recebido como parte da família. Essa atmosfera acolhedora é um dos diferenciais do turismo de experiência, que busca proporcionar vivências autênticas e memoráveis.
A analista do Sebrae acredita que a união de esforços entre o poder público, a iniciativa privada e a comunidade é fundamental para o sucesso do projeto. “É a coletividade, é a gente trabalhar a gastronomia, é trabalhar a produção rural, é trabalhar o mercado, é trabalhar a nossa governança”, afirma Kele Vesperman, reforçando que a integração de diferentes setores pode trazer resultados efetivos e gerar renda para o território.
O Serro, com seu patrimônio histórico e cultural preservado, se consolida como um destino que une tradição e inovação. A “Rota do Queijo” surge como uma oportunidade para impulsionar a economia local, valorizar os produtores e oferecer aos turistas uma experiência genuína, que vai além do simples ato de comer. É a chance de vivenciar a história, a cultura e os sabores de uma das regiões mais charmosas de Minas Gerais.
Com a produção de Claiton Miranda, música de Marcos Felipe e sonoplastia de José Alves, a reportagem foi veiculada pela Radioagência Nacional, com edição de Bianca Paiva e Fran de Paula.
Fonte: Agência Brasil.
