
Projeções climáticas da plataforma de inteligência climática i4sea indicam que o Brasil poderá registrar até 127 dias de calor extremo por ano até 2075, um salto significativo em relação aos atuais 6 dias anuais. O estudo, que utilizou mais de 26 modelos climáticos globais — incluindo o MPI-ESM1-2-HR, do Instituto Max Planck de Meteorologia —, hiperlocalizou os resultados para todo o território brasileiro, com horizonte até 2075.
De acordo com o levantamento, a temperatura máxima média do país deve subir 1,7 grau Celsius (°C), com aquecimento que pode chegar a 7°C em algumas regiões. O diretor-presidente da i4sea, Mateus Lima, destacou que o objetivo da plataforma é oferecer aos tomadores de decisão um cenário climático tão claro quanto outros indicadores estratégicos, como receita, câmbio e mão de obra.
“O que os dados mostram é que o calor deixará de ser um evento sazonal para virar uma variável permanente do plano de negócios. Quem incorpora isso agora ganha tempo para adaptar infraestrutura, processos e proteger as pessoas que fazem a operação acontecer”, afirmou Lima.
O recorte regional aponta a Região Norte como a mais exposta em 2075, com aumento médio de 2,8°C na temperatura máxima e projeção de 193 dias de calor extremo por ano. Rondônia lidera o ranking estadual, com alta projetada de 3,95°C. Acre e Roraima aparecem logo atrás, com aumentos de 3,36°C e 3,16°C, respectivamente. Em Roraima, a projeção indica até 250 dias de calor extremo por ano — cerca de dois terços do ano sob essa condição.
O Centro-Oeste vem em seguida, com aumento projetado de 2°C e salto de 5 para 107 dias de calor extremo anuais. Já no Sul, onde o aquecimento médio é mais contido (1,1°C), os dias de calor extremo passam de 4 para 38 por ano.
Além do aumento na frequência de dias quentes, o estudo indica uma tendência de até 13 ondas de calor anuais no país. “Isso muda a forma como setores como energia, infraestrutura, saúde e logística precisam pensar continuidade operacional”, alerta a i4sea.
A pesquisa foi realizada pela i4sea, plataforma que apoia empresas com ativos e operações impactados pelo clima em decisões estratégicas e operacionais. O estudo completo serve como base para que companhias dos setores mais vulneráveis possam se planejar diante de um cenário de calor extremo cada vez mais frequente.
A reportagem é da Agência Brasil, com edição de Aline Leal.
Fonte: Agência Brasil.
