Flávio Dino intima Congresso em 30 dias para esclarecer irregularidades na destinação de emendas




Flávio Dino intima Congresso em 30 dias para esclarecer irregularidades na destinação de emendas
Fonte da imagem: Agência Brasil


O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (14) que o Congresso Nacional apresente, no prazo de 30 dias, explicações sobre irregularidades na destinação de recursos do orçamento federal por meio de emendas parlamentares. Na decisão, Dino criticou duramente a prática que chamou de “terceirização de emendas”, na qual ex-parlamentares continuam a indicar a aplicação de verbas públicas mesmo sem mandato.

A nova ordem judicial ocorre poucos dias após Dino ter determinado o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e de R$ 6 milhões do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Em ambos os casos, a suspeita é de que os políticos estivessem indicando a destinação de emendas parlamentares mesmo sem ocupar cargos eletivos. Para o ministro, essa conduta “configura-se vício insanável por violação aos princípios da moralidade, legalidade e finalidade”.

Na decisão desta terça, Dino afirmou ser “totalmente anômalo que ex-parlamentares mantenham cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar”. O ministro também mencionou relatórios do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) e da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontam irregularidades na aplicação de emendas na área da Saúde.

Dino também determinou que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) prestem esclarecimentos sobre o uso temporário de emendas parlamentares para pagar despesas de custeio, prática considerada irregular.

Outra determinação do ministro foi dirigida à Advocacia-Geral da União (AGU), que terá igualmente 30 dias para informar quais providências está adotando para responsabilizar os envolvidos nas irregularidades identificadas nos relatórios da CGU.

Flávio Dino é o relator de uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que trata da necessidade de transparência e rastreabilidade na destinação de emendas parlamentares, conforme exige a Constituição. Desde 2022, o STF vem tomando medidas para coibir o chamado “orçamento secreto”, mecanismo pelo qual recursos eram indicados sem identificação do parlamentar responsável ou do beneficiário final.

As emendas parlamentares são um instrumento constitucional que permite a deputados e senadores indicar a destinação de parte do Orçamento da União. A decisão de Dino busca garantir que esses recursos sejam aplicados de forma legal, moral e transparente, coibindo desvios e a atuação de ex-parlamentares na gestão informal de cotas orçamentárias.

Fonte: Agência Brasil.

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